Posts com a Tag ‘Profissão’

O amadorismo no ensino digital

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O 12º episódio do 6º Aprendiz Universitário, liderado pelo então fodão Roberto Justus mostrou que ainda temos muito amadorismo em relação ao ensino da comunicação digital nas universidades.

Os participantes tinham que fazer o milagre da multiplicação, tentando lucrar de maneira bem criativa com uma verba de 5 mil reais. O trabalho foi dividido em 3 duplas que tinham que usar seus conhecimentos empreendedores.

Uma das duplas teve a “excelente” ideia de vender sites com preços de R$ 150,00 cada. Fico feliz que tenham perdido. Isso mostra que o amadorismo não tem espaço nem para o dono e presidente da agência que mais fatura com mídia no Brasil. Por isso que as pessoas leigas ficam assustadas quando uma agência ganha uma concorrência de uma verba de 11 milhões pra criar um dos sites mais importantes do governo brasileiro. Isso é tratar site como banana ou pastel.

banana

O Roberto Justus e o Walter Longo também mostraram sua falta de conhecimento digital elogiando o participante Rodrigo Carraresi, “que se diz especialista em web”, que deve ter estudado em Harvard e provavelmente fala 388 idiomas.

Claro que as pessoas precisam estudar e buscar especializações pra utilizarem esse conhecimento em prol de suas profissões. Mas o mercado tem mostrado que os melhores profissionais são feitos com a prática.

A minha preocupação é que as faculdades não estão preparando bons alunos para o mercado de trabalho. O problema estar em o aluno se preocupar em aprender a técnica. Esquecem que a universidade tem o papel de fazer o aluno aprender a pensar e pesquisar, sem falar que qualquer faculdade está virando universidade, mesmo sem ter nenhum projeto de pesquisa.

O Luli fez uma apresentação muito bacana para os alunos de comunicação da ECA/USP, onde fala sobre os segredos do ensino da universidade.

Leiam também o descontraído artigo “Se vendêssemos pizzas como produzimos sites (10 anos depois)”

Entrevista com Fabrício Teixeira, arquiteto de informação da AgênciaClick

quarta-feira, 25 de março de 2009

fabricioFabricio Teixeira é arquiteto de informação, mas acha que isso tem cura. Formado em Publicidade e Propaganda pela Cásper Líbero e pós-graduando em Mídias Interativas pelo Senac, trabalha na AgênciaClick há alguns anos atendendo clientes como Fiat, Sadia, ESPN, Citibank e Petrobras, entre outros. Escreve no arquiteturadeinformacao.com sobre AI e no blogdofabricio sobre coisas legais. Fabricio não costuma falar mais que o necessário e acha cafona escrever sobre si mesmo em terceira pessoa.

O que é Arquitetura de Informação pra você?

Depende para quem eu vou explicar. Para minha mãe eu digo que eu faço com os sites aquilo que eu deveria fazer com o meu guarda-roupa: organizá-lo com frequência, seguindo uma ordem lógica, de forma que qualquer pessoa rapidamente entenda por que ele está organizado daquela forma e consiga encontrar com facilidade a meia azul de bolinhas brancas que está procurando. E na web caminha bem por aí. Só que as bolinhas não são brancas.

Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?

Quando eu descobri que meu transtorno obsessivo por organizar coisas e minha nerdice sem-fim já tinham virado profissão em algum lugar do mundo. Então eu conheci a Juliana Constantino e ela oficializou isso tudo.

E as maiores dificuldades no trabalho diário?

Acho que o mais complicado é convencer o cliente a realizar os tais testes de usabilidade e entender que o Arquiteto de Informação não é uma entidade sobrenatural que consegue prever o comportamento das pessoas. E para isso haja demonstração de ROI e de Data Intelligence. No mais, lembrar alguns designers que suas tias-avós são míopes e tranquilizar o cliente de que o site dele não vai para o ar em tons de cinza.

Quais ferramentas você recomenda para a entrega dos projetos?

Hoje utilizo o Axure para quase tudo, mas mais por comodidade que por dependência. Não gosto de me prender a uma ferramenta específica para fazer o trabalho. Quando não há uma entrega formal de AI costumo rabiscar em um caderno qualquer.

Como você vê o mercado atual e como ele deverá evoluir?

Não sou muito entusiasta de reflexões filosóficas sobre o mercado de AI. O mercado é esse job que eu tenho que entregar hoje, e vai muito bem, obrigado. Devemos continuar trabalhando bastante, entregando com qualidade, produzindo conhecimento e elevando o nível da área como um todo.

E o futuro de um profissional especializado em Arquitetura de Informação?

Essa palavra “especializado” é complicada. Dentro de uma agência interativa, cada vez mais o profissional precisa se “desespecializar” em AI e tomar conhecimento do projeto como um todo. Acredito muito no potencial do arquiteto como gestor das informações do projeto e como ponto de referência para as áreas técnicas e criativas.

Mas se a pergunta foi sobre emprego e salários, então o bom arquiteto pode ficar tranquilo por algum tempo.

Onde busca referências criativas para o seu trabalho?

Sou do tipo que chega mais cedo no trabalho para ficar 2 horas passeando pelo Google Reader e lendo de tudo. E o que eu menos leio são feeds de AI. As referências estão espalhadas por aí, na logística da fila do supermercado e no critério de ordenação dos livros da estante do seu avô. Basta vestir esses óculos de AI e não se esquecer de usá-lo também nos fins de semana.

Gostaria de deixar uma dica para quem está iniciando na área?

Leia muito e tenha menos opiniões formadas.
Aproveito para parabenizá-lo pela iniciativa, Rogério. Vamos divulgar nosso trabalho. Isso é sempre bom.

Entrevista com Luiza Voll, arquiteta de informação da Multiplica

quinta-feira, 19 de março de 2009

luiza_vollLuiza Voll é arquiteta de informação, editora de blogs, leitora compulsiva de RSS e publicitária. Trabalha como arquiteta de informação desde que descobriu com o seu blog, o Favoritos, que a internet deveria ser, além de passatempo, também profissão.

O que é Arquitetura de Informação pra você?

Para mim um conceito básico é que a arquitetura de informação é a arte/ciência que ajuda os usuários a satisfazerem suas necessidades em ambientes digitais (se bem que eu também adoro organizar um armário, rs). Mas, além disso, eu também vejo a arquitetura de informação como uma ferramenta de inclusão digital. Boas estruturas ajudam a formar usuários de internet mais felizes e confiantes. Eu gosto de ter esta percepção sobre o nosso trabalho. Acredito que os arquitetos são pessoas que se preocupam com as outras, pois trabalham para tornar suas vidas mais simples.

Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?

Comecei a trabalhar como arquiteta de informação tendo apenas a paixão pela internet como habilidade. Meu primeiro emprego na área foi na Mapa Digital em Belo Horizonte, onde fui acolhida pela Mariana Berutto que, além de chefe, foi uma excelente professora. Por lá aprendi muitíssimo e tive a oportunidade de trabalhar em projetos muito bacanas para clientes idem, como o UOL, por exemplo.

Depois de quase 2 anos trabalhando em AI, decidi embarcar em um novo desafio: estudar Design de Interação na Espanha, em Barcelona. Logo no meu primeiro mês na Cataluña tive o privilégio de começar a trabalhar para a Multiplica, uma consultora de experiência de usuário com foco na persuasão – nada melhor para uma arquiteta publicitária. A experiência de morar fora, aliada aos estudos de design de interação e o trabalho na Multiplica foi mais rica do que eu jamais podia sonhar. Hoje estou de volta ao nosso querido Brasil e com um novo desafio pela frente: ajudar a abrir a Multiplica Brasil!

E as maiores dificuldades no trabalho diário?

Para mim, que o cliente entenda (e compre!) a importância da realização de pesquisas e testes. Para isso precisamos evoluir na demonstração do retorno que essas ações podem trazer.

Quais ferramentas você recomenda para a entrega dos projetos?

Depende… Dos prazos, do trabalho, do cliente… Eu trabalho com o Axure quando o projeto engloba testes, com o Visio em projetos muito grandes e complexos e com o Omnigraffle para trabalhos pessoais e freelance (because I´m a Mac!, rs). Gosto dos três programas. Também vale dizer que sempre começo qualquer projeto no papel.

Como você vê o mercado atual e como ele deverá evoluir?

Acho que todos nós que somos apaixonados pela Arquitetura de Informação temos muita sorte. É muito bacana poder crescer junto com uma profissão e ver o mercado abrir vagas e valorizar a cada dia mais o nosso trabalho. É claro, temos muito que evoluir em inúmeros aspectos, como toda profissão relativamente nova.

Na minha opinião, acho que deveríamos trabalhar muito para provar cada vez mais a eficiência e a importância da pesquisa em projetos de AI e também em formas de demonstrar o retorno que o nosso trabalho traz para o cliente. Ou seja, aperfeiçoar as formas de provar, além das métricas, qual é o ROI (principalmente em épocas de crise) e o quão é eficiente a pesquisa e o trabalho do arquiteto de informação em cada projeto.

E o futuro de um profissional especializado em Arquitetura de Informação?

O que eu percebo atualmente é que existem várias áreas dentro da Arquitetura de Informação e pouca diferenciação de cargos. Eu vejo mais especialização no futuro do profissional de arquitetura (pelo menos no meu!). É importante descobrir suas principais qualidades e preferências e trabalhar nelas para se tornar um profissional mais consistente.

Onde busca referências criativas para o seu trabalho?

Seria mais fácil responder onde eu não busco! Eu sou uma heavy user compulsiva, do tipo que tem mais de 500 assinaturas no Google Reader. Além disso, para mim a inspiração está em todas as partes: nas lojas, na natureza, no cinema, na rua, na navegação de cada dia. É muito importante saber observar na nossa profissão. Em todos os lugares é possível inspirar-se. Se não encontrar nada, é porque não está olhando com atenção suficiente.

Para fontes de inspiração online, nos meus dois blogs eu mostro sites bacanas. No Favoritos sobre sites de todos os tipos e no WebLuv sobre sites mais voltados para o Design de Interação e Arquitetura de Informação.

Gostaria de deixar uma dica para quem está iniciando na área?

Em primeiro lugar, perceber se é mesmo apaixonado pela profissão. Caso afirmativo, tudo fica bem mais fácil. Depois dessa reflexão, meu conselho é tentar arrumar um trabalho/estágio o mais rápido possível. Para mim, é trabalhando que aprendemos do jeito mais rápido e divertido. Também recomendo ler bastante, assinar a lista de arquitetura de informação e, é claro, dar uma olhada em todas as entrevistas dos profissionais que já passaram por aqui.

Entrevista com Ale Nahra, arquiteta de informação da Agência Salve

terça-feira, 3 de março de 2009

Ale Nahra é arquiteta de informação e editora de conteúdo com atuação independente. Atualmente trabalha como gerente de arquitetura de informação na Agência Salve e como consultora para a UNESCO no acompanhamento do projeto de reformulação do portal do Ministério da Educação – MEC. Escreve regularmente sobre arquitetura de informação e a vida em geral no blog www.typewriter.com.br

alenahra1

O que é Arquitetura de Informação pra você?

Quando tenho que explicar para quem não conhece, digo que é a atividade de organizar a informação que será apresentada em um ambiente digital de acordo com as necessidades do cliente ou do produto (o dono do site), de maneira que faça o máximo de sentido para o usuário.

Vejo a arquitetura de informação como um dos elementos, ou disciplinas, capazes de fazer a ligação entre o planejamento e o produto final, no âmbito de projetos digitais. Como bem disse a Carla Martins em um post no blog dela, “a AI é a ponte entre estratégia e interface”. O conhecimento tanto do negócio do cliente quanto do usuário, que é fundamental na maioria dos projetos digitais, dá ao AI elementos para uma atuação mais ampla no planejamento de ações, presença e experiência digital. Meu trabalho especificamente tem um forte viés de estratégia, é essa visão que eu procuro trazer para os projetos que participo.

Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?

Eu sou jornalista, e em 2000 fui chamada para ser editora do site de uma das revistas da Editora Três (que publica Istoé, Dinheiro, Gente, e a revista que eu era editora, Planeta). Cheguei lá e o site não existia. Comecei a planejar as seções, tomando decisões editoriais, e a desenhar a estrutura da home page, duplando com o diretor de arte. Mais tarde descobri que isso que eu estava fazendo se chamava arquitetura de informação e descobri também que eu nasci pra isso!

A arquitetura de informação combina muito com a minha personalidade… Em 2003 fui fazer parte de uma equipe que estava organizando a reformulação de um site do governo. Coube a mim a reflexão sobre a estrutura proposta para o site e a comunicação com a equipe de TI. Então comecei a estudar, pesquisar, aprender. Mas considero que aprendi mesmo mais tarde, completamente na prática. Nos meus primeiros projetos especificamente de AI, eu era freela e trabalhava sozinha. Não foi nada fácil, mas fui aprendendo com livros, blogs de arquitetos mais experientes, e com meus próprios erros. Com isso acabei adaptando as metodologias existentes e criei um método “pessoal” que tenho aplicado, com variações, em todos os projetos desde então.

E as maiores dificuldades no trabalho diário?

Conseguir que o cliente se disponha a gastar mais e ter paciência para realizar testes com usuários. Especificamente em agência, a discussão do lugar da AI: no planejamento ou na criação? Como fazer com que o diagnóstico e o planejamento sejam úteis, e não limitantes, para a criação? Fazer com que a equipe criativa acredite no diagnóstico/planejamento também pode ser um problema às vezes.

Quais ferramentas você recomenda para a entrega dos projetos?

Eu gosto de prototipar o máximo possível, e pra isso, tanto na agência quanto nos meus projetos de consultoria, utilizo o Axure. Prototipar evita muito retrabalho. Quando possível, gosto de usar o protótipo para testes informais internos ou com usuários. Para a equipe interna também é uma ótima forma de comunicar decisões de interação e elementos de interface. Para wireframes simples gosto de usar o Illustrator. Faço sitemaps e fluxogramas no OMNIGRAFFLE (para Mac). E não dispenso o bom e velho Excel para webcontent e inventários de conteúdo. E como boa parte do meu trabalho é diagnóstico, análise, planejamento, tendo a abusar do Word – às vezes até demais.

Como você vê o mercado atual e como ele deverá evoluir?

Atualmente, o principal problema é decorrente da falta de parâmetros digamos, “oficiais”, para avaliar um arquiteto de informação, o que faz com que as empresas muitas vezes não saibam (e não consigam) contratar bem. O resultado disso é a falta de valorização e conseqüente má remuneração. Mas acho que de maneira geral o futuro é positivo. Já está estabelecida a importância da arquitetura de informações em projetos digitais, e isso ao mesmo tempo abre postos de trabalho e cria a necessidade de especialização cada vez maior.

E o futuro de um profissional especializado em Arquitetura de Informação?

Um profissional de AI tem muitos caminhos, inclusive em disciplinas que transcendem a arquitetura de informação. Acho que o conhecimento de um AI o habilita a trabalhar em variadas atividades. Mas é importante que o AI procure seu nicho. A atuação da AI é muito ampla, e é estressante pensar que devemos ser bons em todas as atividades que fazem parte da AI. Eu, por exemplo, não tenho muita afinidade com design, por isso meu ponto forte não é o desenho das interações na interface – um caminho que pode ser seguido por quem veio do webdesign.

AIs que vieram da biblioteconomia podem se especializar na criação de taxonomias e gerenciamento de folksonomias. Já o AI com inclinação estratégica tende a se aproximar cada vez mais do planejamento. Claro que estou pensando em um mercado maduro, com equipes formadas por vários profissionais. Atualmente a realidade do mercado brasileiro ainda não comporta esse tipo de especialização. Pelo contrário, muitos vezes os AIs têm que planejar, pintar, desenvolver, cuidar do SEO, mexer em código, fritar ovo e cantar.

De qualquer maneira, acredito que o profissional de AI deve procurar ter uma visão estratégica, e assim tende a ocupar cargos cada vez mais decisores.

Onde busca referências criativas para o seu trabalho?

No dia-a-dia digital: Twitter, links ao acaso, blogs de amigos e desconhecidos, redes sociais, sites consagrados como Boxes and Arrows, revista Wired, as listas de discussão do Information Architecture Institute e IxDA. Na vida off-line: observando interações de pessoas com objetos físicos e digitais, e interações de pessoas com outras (o que chamamos de relacionamentos).

Em viagens, na corrida, em leituras de revistas e livros (técnicos e literatura), no cinema, em boa comida e café, em conversas com amigos, palestras, cursos, arte, família e animais.

Acredito que o repertório de um bom profissional, independente de qual sua ocupação, é grandemente formado por experiências interessantes e uma vida rica em interações e reflexões.

Gostaria de deixar uma dica para quem está iniciando na área?

Se você está no começo da vida profissional, procure um estágio. Nada melhor que ver como os outros fazem. Procure informação para ser uma pessoa inteligente e interessante – independente de ser um AI ou um contador. Leia bastante para aprender a escrever e formar repertório sobre o mundo. Assine as listas de discussão internacionais e siga links e dicas de leitura. Se possível, vá a algum evento internacional. Converse com outros AIs e aprenda como as outras pessoas fazem.

Entrevista com Daniel Malva, arquiteto de informação da Baião de Dois

domingo, 15 de fevereiro de 2009

daniel_malva

Daniel Malva, arquiteto de informação da Baião de Dois, empresa focada em projetos de comunicação interativa. Jornalista formado na Universidade de Brasília – UNB, concluiu o MBA Executivo da Escola Superior de Propaganda e Marketing-ESPM. Mestrado em Design de Interação (Telecom, Internet, Mídia TV), na Universidade de Westminster (Inglaterra/Londres).

Atualmente cursa o Mestrado em Arquitetura de Informação na Universidade de Brasília.

Trabalha com planejamento e desenvolvimento de produtos para mídias interativas, definindo o posicionamento mais adequado para o target/objetivos e visando uma adequação mais eficiente (retorno) das ferramentas de comunicação para as empresas.

O que é Arquitetura de Informação pra você?

Imagine o seguinte Rogério: uma empresa decide investir altíssimo em campanhas publicitárias para promover sua linha de produtos. No entanto, pouco importaria esse investimento, se no momento da compra o produto não estivesse acessível no ponto de venda.

O pensamento contrário também é válido: não importa uma excelente distribuição se sua promoção e divulgação não forem eficazes.

O pior cenário, no entanto, é aquele em que temos uma excelente campanha de divulgação, uma logística de distribuição diferenciada, mas um produto de má qualidade.

Não há estratégia de marketing que sustente um produto inadequado e de difícil consumo.

Enquanto no “mundo real” essa cadeia de distribuição é representada por distribuidores e varejistas, na internet quem assume seu papel é a Arquitetura de Informação. E é a AI que tem essa função de distribuir a informação em um site, seja ele um portal ou um mini-site.

E, aqui a analogia com os canais de distribuição é perfeita: não adianta a informação ser de excelente qualidade se estiver mal distribuída pela interface. De que vale uma boa informação se ela não é encontrada pelo usuário? Pior ainda será se ela estiver bem distribuída, acessível, mas for um conteúdo mal elaborado e de má qualidade.

Assim como comentou nosso querido Maeda, estamos falando de Contexto e Organização. Lógico que falar dessas leis (apenas 2 entre as dez listadas por ele em seu “Leis da Simplicidade”) pode parecer exageradamente dedutivo. De qualquer forma, eu realmente acho que AI é isso: organizar e contextualizar informações para atingir determinados objetivos.

Quando falamos que nossa função é tornar as informações rapidamente acessíveis estamos assumindo um papel fundamental no planejamento estratégico de um site. O que fazemos, na prática, é tentar organizar informações para que elas sejam rapidamente encontradas. E como tudo cujo resultado final visa à simplicidade, a AI é um disciplina extremamente complexa.

Entregar um produto simples e prático demanda um enorme esforço de pesquisa, planejamento e usabilidade.

Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?

Meio sem querer. Ainda era estudante de jornalismo na UnB, quando percebi que meu futuro não estava em redações de jornais. Comecei, então, a buscar alternativas. Entre idas e vindas, conheci o pessoal da Agencia Click onde comecei minha carreira.

Foi uma passagem fundamental para minha formação. Me arrisco a dizer que a Click foi a primeira grande escola de Arquitetura de Informação do mercado de Brasília. Em uma época de “nascimento” da disciplina tive a sorte de trabalhar com 3 figuras que considero as mais importantes do mercado local: Marcelo Ottoni (nosso guru – praticamente definiu todos os processos e metodologias de trabalho que utilizo até hoje), Pedro Borges (o mais criativo – uma solução inesperada para qualquer que fosse o desafio) e Leo Sarmento (o mais business oriented – sim, iremos atingir todos os objetivos estratégicos definidos no planejamento).

Tive o privilégio de trabalhar ao lado desses caras e, claro, aprender muito com todos eles. Daí pra frente foi trabalhar, trabalhar e, claro, me especializar cada vez mais.

Em um determinado momento decidi que era preciso buscar novas referências e me aprofundar mais nos estudos. Para isso, decidi cursar um mestrado em Design de Interação em Londres. Feito isso também conclui um MBA para adquiri uma visão de negócios mais apurada. Lá dentro foi fácil perceber que os trabalhos de arquiteto e planejamento estratégico se confundem em muitos momentos. Por isso, sempre defendo que o arquiteto deve, sim, participar de todas as reuniões de planejamento e vice-versa. No fim das contas, a arquitetura nada mais é do que uma tentativa de tangibilizar os objetivos estratégicos definidos pela equipe de planejamento. Por isso a sinergia entre essas duas áreas é fundamental.

E as maiores dificuldades no trabalho diário?

Um dos maiores problemas do mercado de AI está na própria formação de seus profissionais. Durante muito tempo (e ainda é fácil identificar isso) os trabalhos de arquitetura eram feitos apenas no “bom senso” e no “achismo” de seus realizadores. Não havia muito planejamento, estudo, testes e, principalmente, não havia uma argumentação consistente para justificar as interfaces propostas.

O reflexo disso era uma desvalorização acentuada dos arquitetos de informação. Tivemos que batalhar muito, estabelecer processos e metodologias para minimizar essas impressões e começar a dar um ar mais profissional ao nosso trabalho;

Há ainda uma questão ainda mais conceitual. A natureza dos trabalhos de AI do mercado de Brasília acabou moldando muito mais arquitetos de sistema do que arquitetos de informação em sua essência. Eu, por exemplo, passei pelo menos 2 anos da minha carreira recebendo matrizes de escopo ao invés de briefings criativos.

Esse é o maior obstáculo para desenvolver trabalhos criativos e que despertem curiosidades, experiências interessantes.

Quais ferramentas você recomenda para a entrega dos projetos?

Ainda acredito muito no bom e velho PPT para apresentação de Macro-arquiteturas. Para a micro, a interação é fundamental, o que torna os protótipos do Axure praticamente insuperáveis. Conhecer bem essas duas ferramentas é fundamental para entregar projetos cada vez mais profissionais. Além disso, o SmartDraw pode ser bem interessante no desenvolvimento de workflows e sitemaps.

Como você vê o mercado atual e como ele deverá evoluir?

Minha expectativa é que a próxima geração de gestores (muitos deles heavy-users de internet hoje em dia) saiba do potencial e do retorno que o investimento em internet pode oferecer as suas empresas.

As vezes, paro para imaginar como seriam nossas reuniões com clientes daqui a 10 anos. Otimista que sou, sempre vislumbro tomadores de decisão muito mais conscientes do papel da internet para suas empresas.

Não há como evitar. A tendência é a convergência de todos os canais para as mídias digitais. Quando isso realmente ocorrer, teremos muito mais espaço para desenvolver nosso trabalho.

No entanto, para isso ocorrer não são somente os clientes que devem se adaptar. É fundamental que e a nova geração de arquitetos se especialize, pesquise, teste, erre e acerte.

Precisamos profissionalizar cada vez mais nossa área. E, nesse momento de consolidação da profissão temos que formalizar nossa formação com a realização de cursos e especializações.

E o futuro de um profissional especializado em Arquitetura de Informação?

Se especializem. Cursos como MBA podem dar uma visão de negócio fundamental a nossa área de atuação.

Além, disso, tente abstrair um pouco e fuja dos padrões de interação tela x teclado x mouse. Viaje muito e, sempre que possível, passeie e leia um bom livro. Tente entender, por exemplo, como funciona a “navegação” em cardápios, shoppings centers, parques, livros, enfim, em todo e qualquer ambiente essencialmente interativo.

Ah… leia e releia Jakob Nielsen. Feito isso, faça exatamente o contrário do que ele diz.

Onde busca referências criativas para o seu trabalho?

Além de benchmarks tradicionais como FWA e eventuais sites e ações em destaque, acho muito interessante buscar referencias “open-minded”. O próprio Maeda é uma delas. Outras referências bacanas são Brenda Laurel, a revista Wired, o site Boxes and Arrows, além de inúmeros outros.

Fontes inesgotáveis de referências são nossos parceiros designers. “Cole” nesses caras. A noção estética e perspectiva deles do que realmente funciona ou não na web é fundamental para que possamos fazer trabalhos cada vez melhores.

Gostaria de deixar uma dica para quem está iniciando na área?

Ousadia. Chega de fazer sites burocráticos. O que precisamos é de experiências positivas e marcantes na internet. Sim, em algum momento precisamos entregar a informação o mais rápido possível, mas em determinadas situações precisamos “prender” o usuário na interface, fazê-lo experimentar a marca.

Aprenda o fundamental: leis de usabilidade, de diagramação, modelos mentais, taxonomia, etc. O mais importante, no entanto, está em criar seu próprio estilo de trabalho, se destacar pela sua criatividade e jogo de cintura para resolver desafios.

Resumindo: aprenda a teoria, mas a prática é você quem faz.