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Teste de usabilidade e acessibilidade com um deficiente visual

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fazer um teste de usabilidade é uma tarefa gratificante por natureza. É o momento que você coloca a prova uma interface e abre os olhos para os problemas existentes.

Agora imagina realizar um teste de usabilidade e acessibilidade com uma pessoa com deficiência visual.

Este texto é a parte final da minha experiência com um teste de usabilidade que participei no ano passado, onde falei como foi o processo de recrutamento e as vantagens e desvantagens de realizar o teste em laboratório, remoto ou no ambiente do usuário.

Nesse projeto havia a necessidade de realizar uma análise de acessibilidade e junto com Isaias Coelho, especialista em acessibilidade, decidimos realizar um teste com um deficiente visual no laboratório de usabilidade da Talk, em Brasília.

Recrutamos um deficiente visual que foi submetido a algumas tarefas no site.

Nunca tinha visto alguém usando um ledor de tela. É um mundo completamente diferente do que estamos habituados. Os usuários com deficiência visual precisam dar atenção às coisas que nós simplesmente ignoramos. Por exemplo: Eudes, nosso recrutado para o teste, foi o único que prestou atenção no texto de orientação antes de iniciar o processo de preenchimento de um cadastro.

Dificuldades na navegação

• Ficou irritado por não ter um atalho que o levasse direto para o conteúdo.
• Sentiu-se perdido em alguns momentos devido a hierarquia das informações.
• Sentiu dificuldades com o campo de busca, por ele não ter um label associado.
• Não conseguiu exibir o conteúdo das listas retraídas com o teclado por ter eventos associados apenas ao mouse.
• As imagens associadas às notícias não tinham uma descrição textual do que representavam.
• O ledor de tela não conseguiu ler os arquivos em PDF abertos em uma nova aba.
• Houve dificuldade de encontrar os resultados de busca por ter algumas informações sem contexto.

Conclusão

Deixe de imaginar como um deficiente visual navega pelo seu site e o convide para testar e tirar suas próprias conclusões.

Aproveitamos a presença do Eudes, no laboratório, e tiramos várias dúvidas em relação a implementação de um código mais acessível.

22 Mitos da experiência do usuário

domingo, 18 de julho de 2010

Apresentar uma nova interface de um site ou sistema aos nossos clientes é sempre uma grande discussão, pois esbarramos muitas vezes em ficar discutindo assuntos que estudos já definiram como mitos.

O site UX Myths publicou uma lista de 22 mitos sobre experiência do usuário. Veja abaixo alguns deles.

Mito 3# Os usuários não rolam as páginas
Ninguém precisa desenhar uma página se preocupando em colocar tudo antes da primeira rolagem. Tem um post aqui onde falo melhor sobre esse assunto.

Mito 12# Mais escolhas e funcionalidade resultam em maior satisfação
Quanto maior o número de escolhas que o usuário tem para navegar, mais confuso ele ficará da sua interface. Estudos mostram que muitas escolhas podem causar a tal “paralisia de decisão”

Mito 19# Você não precisa do conteúdo para desenhar uma interface
A utilização do lorem ipsum é um processo natural no desenho de interfaces por parte do arquiteto de informação e também do designer. O fato é que desenhar sem saber como será exatamente o conteúdo é ruim para qualquer projeto e muitas vezes a interface não fica adequada ao tipo de conteúdo que virá depois.

A minha ideia é fazer um estudo mais aprofundado sobre alguns dos 22 mitos e fazer posts mais completos sobre o assunto. O que acham?

Gripe Suína, Gripe A ou H1N1?

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Rotular informações é uma tarefa primordial para quem trabalha com arquitetura de informação. O arquiteto normalmente é o responsável pela criação dos rótulos navegacionais. Rótulos são todos os nomes dados para os títulos de páginas, menus de navegação, chamadas de destaques, botões de ações, enfim, todo o conteúdo.

Estamos vivendo um período tenso de pandemia de uma gripe que pode até matar, é importante que as informações sobre a doença sejam encontradas facilmente pelos usuários. Esse vírus foi conhecido inicialmente como Gripe suína, logo em seguida criaram siglas e códigos para que as pessoas não relacionassem a doença com a carne de porco.

O certo é que nem o Ministério da Saúde adotou um padrão de nomenclatura. Talvez falte um diálogo unificado entre os governos. É difícil mudar o título de algo novo e que as pessoas já estão acostumadas.

Um site deve falar os termos que os visitantes possam entender com facilidade. É interessante evitar jargões e siglas que servem apenas para quem é da área. Talvez o H1N1 seja um termo entendido unicamente por profissionais de medicina. O importante é que o usuário tenha certeza do que vai encontrar após clicar em algum elemento de navegação.

busca_gripe_suina

gripe_suina1

gripe_suina21

A preocupação do governo com a Internet

domingo, 26 de abril de 2009

internet_governoO Ministério da Educação usou um espaço de mídia na Globo.com para divulgar o seu novo portal. Fico feliz que o Governo esteja cada vez mais preocupado em oferecer um serviço de qualidade para a população.

O pessoal responsável pela criação e desenvolvimento do portal do MEC está usando o CMS do Joomla, que ainda pouco conheço. Acho que a tecnologia pouco importa quando se tem vontade de fazer um trabalho bem feito.

Recentemente a TV1.com conquistou a conta digital da Presidência da República. Isso mostra que teremos uma melhor visibilidade on-line com os novos sites que serão feitos. Uma discussão no Flickr mostrou falta de conhecimento de algumas pessoas, achando que 11 milhões é muito para fazer um site. Afinal tem uma galera cobrando 500 reais no classificado de domingo. Acabei de ver um anúncio desse no Correio Braziliense.

Tenho orgulho de ter participado da concepção de um projeto que foi pioneiro e que teve o propósito de revolucionar a comunicação digital nos Ministérios. O Ministério da Cultura ganhou um portal totalmente novo, e hoje é considerado um dos maiores cases usando o CMS do WordPress.

Antes o site era estático e tinha uma atualização pouco relevante, não proporcionando participação das pessoas. Internet é um ambiente interativo. Não é um jornal que você lê e não pode comentar sobre a matéria.

Concordo que grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro possuem muitas oportunidades no mercado de trabalho de Internet, mas não podemos esquecer do potencial de Brasília, com todos os sites governamentais. Alguns Ministérios já possuem equipes capacitadas fazendo um bom trabalho, além das agências que estão concorrendo às licitações disponíveis.

Outro site que ganhou cara nova foi o portal do cidadão do GDF. O restante do site ainda está sendo reformulado. O projeto está sendo foi feito pela Talk Interactive. Ainda estou conhecendo sobre o portal e como foi pensando o conceito de organização dos serviços. O certo é que o trabalho ainda está bem no começo. O portal tem muitos sites internos que ainda serão feitos pela agência.

É interessante que os participantes desses projetos comentem, colaborando com mais informações sobre os desafios.

Entrevista com Eduardo Loureiro, Coordenador de experiência do usuário da Mapa Digital

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

eduardo_loureiro1Estou fazendo uma série de entrevistas com profissionais de Arquitetura de Informação no Brasil. Essas entrevistas têm o objetivo de orientar as pessoas que estão entrando na profissão e aumentar o conhecimento de quem já atua no mercado.

Entrevistei Eduardo Loureiro, Coordenador de experiência do usuário na Mapa Digital, empresa de pesquisa e consultoria em meios digitais. Eduardo Loureiro tem 26 anos e é um profissional especializado em planejar e criar produtos interativos, que proporcionem boas experiências para as pessoas.

Seu trabalho baseia-se na filosofia de desenvolvimento do design centrado no usuário, que engloba diversos tipos de pesquisas, análises e avaliações para alcançar resultados inteligentes e únicos.

O que é Arquitetura de Informação pra você?

Por um lado temos os conceitos básicos que aprendemos ao longo dos vários livros lançados sobre o assunto até aqui, onde a AI é uma das disciplinas que compõe o Design da Experiência do Usuário e é responsável pela organização e estruturação da informação. Mas prefiro conceituar a AI pelo que ela representa no mercado e para o mercado. Uma das coisas mais importantes da AI, ao meu ver, é ter trazido a prática da pesquisa para os projetos comerciais, o que sem dúvida é requisito básico para o sucesso dos mesmos. Mas não só isso, pois a pesquisa é mais que necessária para uma disciplina oriunda de um contexto em que fundamentação é característica básica pra qualquer argumento.

O outro ponto crucial que caracteriza a AI – e com certeza é responsável pelo aumento de sua prática – é a dualidade entre pensar nas pessoas na hora de conceber os produtos, sem esquecer os objetivos estratégicos do negócio. Afinal estamos falando de mercado, empresas e objetivos comerciais. Isso faz com que os arquitetos tenham que ter uma visão ao mesmo tempo holística e profunda de todo o processo. E isso dá a eles capacidade suficiente para pensar em tudo que possa contribuir para melhorar a experiência das pessoas, atendendo ao mesmo tempo os interesses comerciais das empresas. E esse trabalho está longe de ser fácil.

Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?

Apesar de ter uma mãe formada em Belas Artes e professora de Artes e Desenho Geométrico, a verdade é que até cair de pára-quedas em uma agência web, eu nunca tinha tido interesse pelo assunto. Sempre tive interesse em política, história, ciências sociais e afins e por isso decidi fazer o curso de História. Só que nesse meio tempo acabei indo trabalhar em uma agência web e foi lá que meu interesse pela coisa despertou.

Trabalhei como web designer por um bom tempo, até trabalhar com a pessoa que viria a me introduzir em todos esses conceitos sobre Experiência do Usuário, meu guru Daniel Pádua, um cara ao mesmo tempo insano e brilhante. Daí pra frente meu interesse só aumentou e passei a estudar sozinho sobre conceitos e técnicas de usabilidade. Foi então que descobri o Caio Cesar e o Daniel Alenquer, que estavam começando a organizar uma série de eventos e projetos ligados a usabilidade em Belo Horizonte, dentre eles a Especialização em Design de Interação.

Fazer esse curso que até então era o único sobre o tema no Brasil, coordenado por dois profissionais tão bons, foi inevitável, e foi na pós que pude contextualizar e aprender a aplicar tudo o que vinha estudando sozinho enquanto atuava como web designer.

A pós me fez conhecer a Mapa Digital, uma das poucas empresas especializadas em pesquisa e experiência do usuário em Belo Horizonte, e daí foi um pulo para que eu começasse a trabalhar na empresa desenvolvendo trabalhos de AI e DI para projetos de grandes e importantes clientes. Para mim, a transição do web design para a AI e o DI foi relativamente tranqüila, principalmente porque eu já possuía algumas das características essenciais para um profissional que trabalha com pesquisa e experiência do usuário: Ser detalhista e ter atenção, organização e visão. Hoje coordeno a equipe de experiência do usuário da Mapa Digital.

E as maiores dificuldades no trabalho diário?

Atuar em uma área tão nova traz implicações para os projetos que muitas vezes não são nada agradáveis. Existem os problemas comuns às agências, seja de pesquisa ou desenvolvimento: falta de entendimento nos projetos, briefings enigmáticos, visão imediatista ou limitada de alguns clientes, prazos e orçamentos apertados, etc. Além disso, a maior dificuldade relacionada a trabalhar diretamente com pesquisa e experiência do usuário é a necessidade e a dificuldade de se justificar e argumentar a realização de pesquisas ou mesmo da aplicação dos resultados que elas trouxeram.

Pesquisa tem uma ligação enorme com a academia e isso acaba por gerar preconceitos que na verdade existem pela ignorância em relação ao conhecimento metodológico para a sua realização no contexto do mercado, que sem dúvidas tem foco, conceito, timing e verba totalmente diferentes da academia.

Quais ferramentas você recomenda para a entrega dos projetos?

Depende muito, pois ao trabalhar com pesquisa muitas vezes a única ferramenta utilizada para a entrega dos trabalhos é a de documentação, ou seja, um Word ou um Power Point. Nesse quesito de entrega, utilizamos algumas ferramentas aqui na Mapa Digital: o Power Point para análises em geral, o Axure para wireframes e o Visio para diagramas estruturais e de interação. Porém, no quesito desenvolvimento, criação ou concepção, algumas outras ferramentas também são úteis. Para card sortings online utilizamos o Websort. Para a análise de card sortings presenciais utilizamos a planilha criada pela Donna Maurer

O Survey Gizmo e o QuestionPro são utilizados para pesquisas e questionários online. Também utilizamos e o Snagit para benchmarks. E para testes de usabilidade utilizamos o Morae.

Enfim, existem muitos softwares, que servem para todo o tipo de função e por isso é preciso encará-los como o que são, ferramentas para nos auxiliar em nossos trabalhos e nunca como meios determinantes do nosso trabalho. Como disseram Elesbão e Haroldinho no Design de Bolso “(..) não adianta, não há periférico que dê a você o nível de resposta de um rabisco”.

Como você vê o mercado atual e como ele deverá evoluir?

Para falar a verdade tenho certo receio com relação ao mercado atual, pois apesar do crescimento da demanda e necessidade dos processos de AI, a cultura da pesquisa ainda não está totalmente estabelecida.

E fazer AI sem pesquisa é inserir mais uma etapa nas metodologias de desenvolvimento, sem trazer os benefícios reais de se ter esse passo anterior, ou seja, é uma contradição. Mas, sem dúvida, é inegável o crescimento da preocupação com a experiência do usuário no mercado. De fato a AI tem crescido no Brasil, mas pelo menos por enquanto, muito mais no eixo Rio – São Paulo. É claro que há motivos, afinal as grandes contas de clientes estão nessas cidades. Essas grandes contas fazem girar uma grande quantidade de dinheiro, assim, as agências e produtoras podem se preocupar com pesquisa. Além disso, já existem cursos superiores e de extensão formando pessoas especializadas na área há certo tempo, fomentando um “movimento” em prol da experiência do usuário.

Em Belo Horizonte esse crescimento é bem mais lento, pois aqui a cultura é muito centrada em tradicionalismos e em quantidade, ao invés de inovação e qualidade. É por isso que uma boa e importante parte dos clientes da Mapa Digital são de São Paulo. Mas o cenário vem mudando tanto, que antes só existia uma única empresa que trabalha com UX e usabilidade em Belo Horizonte. Hoje já são três e, além disso, várias agências web tem se preocupado com UX e incluído processos de AI e DI em suas metodologias.

E o futuro de um profissional especializado em Arquitetura de Informação?

Para mim, o futuro dos AIs tende a ser promissor a medida que a cultura de se pensar na experiência do usuário nos projetos aumenta. Contudo, como já aconteceu com o design, se destacar demais também pode ter um lado ruim, com a saturação de profissionais e consequente queda da valorização junto às empresas.

Onde busca referências criativas para o seu trabalho?

Em todo o tipo de lugar. É claro que a web é uma fonte essencial de referências, mas não é a única. Ao trabalhar com AI e DI eu comecei a prestar mais atenção a todo tipo de coisa cotidiana, como meu armário, minha caixa de e-mails, minha agenda, maçanetas de todo o tipo, infográficos de revistas e jornais da TV, com um olhar muito mais atencioso a questões como organização e distribuição das coisas, formas, funções e etc. Esse aprendizado se deve muito também a fotografia, que é um dos meus hobbies, onde eu aprendi que as referências estão ao nosso redor, basta saber enxergá-las.

Gostaria de deixar uma dica para quem está iniciando na área?

Conhecimento conceitual é fundamental nessa área. Afinal, como eu disse, estamos falando de disciplinas com forte embasamento teórico. Mas não falo apenas de aprendizado formal em faculdades ou universidades, pois acredito muito no aprendizado autodidata. Outro ponto é saber de que trabalhar com AI exige que a pessoa tenha uma visão diferenciada e não imediatista das coisas, pois o AI trabalha em uma etapa onde pensar no futuro ao analisar cada uma das consequencias de cada decisão tomada, pode ser crucial para o sucesso de um projeto. Para isso acho que um AI deve procurar desenvolver três características importantes: concentração, visão e comunicação.