Versionamento no Axure

Quando fui interface na Agência Click, em 2006, tive a oportunidade de conhecer o SVN. Essa técnica permite que várias pessoas possam trabalhar de forma conjunta em um mesmo projeto.

A Gabi, arquiteta de informação na Talk, mostrou que existe a possibilidade de fazer isso no Axure. Essa possibilidade nos ajudou bastante e mostrou que pode ser muito útil para o time que está trabalhando no projeto.

Trabalhamos em conjunto nesse projeto específico e percebi que isso pode nos ajudar de algumas formas. Exemplo: O Redator pode fazer a redação de arquitetura no próprio Axure conforme as telas vão ficando prontas. Isso ajuda bastante em trabalhos que temos que aplicar uma metodologia ágil com vários arquitetos, redatores, designers e desenvolvedores.

Como funciona

Veja os passos para criar uma arquivo versionado no Axure.

Primeiro passo: Abra o RP que vai ser versionado e clique no menu “Share” > “Create Shared Project from Current file…”

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Segundo passo: Escolha o nome do projeto. Este será usado por todos os usuários na rede. Escolha um nome fácil para identificar o arquivo.

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Terceiro passo: Escolha o local onde o arquivo será compartilhado. É onde a versão será atualizada por todos os usuários que utilizarão o arquivo, e assim, onde todos buscarão as atualizações. Sugiro que seja compartilhado em um servidor que todos possam buscar a informação a qualquer hora. Se for compartilhado no computador de um usuário, este deverá estar logado para que o versionamento funcione.

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A pasta não deve ser mexida por ninguém, e ficará assim:

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Quarto passo: Escolha o local onde ficará a sua versão do arquivo. É com ele que você vai trabalhar, pois ele buscará e mandará atualizações para o arquivo compartilhado que você salvou anteriormente.

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O arquivo que o usuário irá abrir para trabalhar será esse RP com o ícone diferente:

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Veja agora os passos para você criar um versionamento local (caso não tenha sido você que criou o arquivo compartilhado)

Primeiro passo: Clique no menu “Share” > “Get and Open Shared Project…”

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Segundo passo: Informe o local onde está o arquivo compartilhado. É a versão atualizada por todos os usuário que utilizam o arquivo.

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A pasta não deve ser mexida por ninguém, e estará assim:

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Terceiro passo: Escolha o local onde ficará a sua versão do arquivo. É com ele que você vai trabalhar, pois ele buscará e mandará atualizações para o arquivo compartilhado que você salvou anteriormente.

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Entenda como utilizar o arquivo compartilhado

Para fazer alterações você precisa clicar em Checkout. Significa que você está reservando aquela página no servidor para fazer alterações. Dessa forma apenas você poderá mexer.

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Quando terminar de fazer as alterações, clique em Checkin. Significa que você está devolvendo a página atualizada para que outros usuários possam atualizar seus arquivos e mexer se necessário.

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Profissões digitais: designer de interação

O site Olhar Digital fez uma matéria bem interessante mostrando como é o trabalho de um designer de interação.

A designer brasileira Juliana Ferreira faz parte da equipe de desenvolvimento da Nokia e ensina os principais focos de produção da profissão.

Confira a matéria completa.

Mais modernidade para o site da Fazenda

Mal acabou a primeira versão do programa “A Fazenda”, a Record lançou a segunda versão dois meses antes do início do BBB 10, apresentado pela Rede Globo.

Quando o site da primeira temporada de “A Fazenda” foi lançado, fiz um post aqui no blog falando de alguns problemas de usabilidade, fazendo um comparativo com o site do programa “No Limite”.

No dia da estréia da segunda temporada aconteceu uma integração muito bacana entre a TV e a Internet. Conforme o Britto Júnior anunciava os participantes, o topo era alterado, acrescentando o participante anunciado segundos antes já com sua página interna com galeria de fotos e biografia, isso tudo sincronizado a TV.

Por isso não poderia deixar de falar da nova versão do site. Usar os fazendeiros como elementos principais de navegação é um grande acerto. Assim os usuários podem navegar clicando no participante ou escolhendo a forma que deseja consumidor o conteúdo de fotos, vídeos ou notícias. Dentro da página do participante você tem acesso as informações que estão relacionadas, deste modo o usuário navega da forma que achar mais confortável.

A interface de votação está bem resolvida. Não senti nenhuma dificuldade no uso, mas tem uma coisa que me incomoda. Deveriam pensar em uma forma de destacar mais a chamada nos dias de votação pela Internet. Talvez criar um destaque diferenciado para o quiosque de destaques principais. Outra vantagem, é que a interface de votação está presente na tela, sem a necessidade do uso de um popup, o que atrapalha a tarefa de votação para quem usa algum tipo de bloqueador.

A página que fala sobre o programa deveria ter um conteúdo explicando melhor todas as regras do Reality Show. Eu que não consigo acompanhar, simplesmente não entendo muito bem como funciona.

Gostaria de deixar o espaço para a equipe que trabalha com a Carla Martins, arquiteta de informação da Record, comentar mais sobre o projeto. O espaço está aberto a todos. Fiquem a vontade.

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Rastreando o olhar do consumidor

A edição do Jornal Nacional de ontem (23/11), exibiu uma matéria falando sobre as técnicas e pesquisas realizadas no rastreamento do olhar do consumidor (usuário).

A mesma técnica, que chamamos de eyetracking, e utilizamos para mapear o caminho que os olhos dos usuários fazem durante a navegação em um site, está sendo utilizada por pesquisadores para entender o comportamento do consumidor dentro de um supermercado, por exemplo.

Ainda não temos esse poderoso óculos aqui no laboratório de usabilidade da Talk, mas confesso que gostaria de ter acesso a esse tipo de pesquisa. É bastante complexo trabalhar com a interpretação desses dados.

Veja um post que fiz sobre Eyetracking aqui.

Veja a matéria realizada pelo Jornal Nacional.

Observações de uso do novo Orkut

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Depois de alguns anos fazendo muito sucesso no Brasil, o Orkut resolveu fazer algumas mudanças em sua arquitetura de informação. As pessoas nunca deixaram de utilizar o site por problemas de usabilidade ou design visual.

Quando comecei a usar o orkut, por volta de 2004, tentei perceber qual era a real utilidade da ferramenta. O brasileiro por ser bastante social e hospitaleiro tem a necessidade de sempre de estar em contatos com outras pessoas.

O Orkut se mostrou extremamente útil, principalmente pra mim. Na época começava a estudar usabilidade e também e observei a oportunidade de encontrar pessoas que conheci na infância e que nunca mais tive contato.

Quando um bar novo é lançado, somente um grupo seleto de pessoas começa a freqüentar, logo em seguida o povão passa a ter acesso e a fazer parte dessa galera. Conforme o bar vai sendo freqüentado pelo povão, o seleto grupo de pessoas sente necessidade de ir para outro bar. É o mesmo que acontece com as redes sociais. Por isso o Facebook ganhou muito espaço no Brasil nos últimos anos.

Acho que a ideia do Orkut foi reformular o seu bar para que possa atrair os antigos adeptos e seja capaz de fidelizar os atuais usuários.

Muito já se falou sobre o lançamento do novo Orkut, mas o que mais importa na minha opinião, é o julgamento de quem usa de verdade. Essa semana fiz um pequeno teste de usabilidade com a minha esposa que não trabalha com Internet e usa o Orkut completamente.

Palavras da minha esposa

Achei muito legal a forma de buscar os amigos e comunidades sem sair da tela principal;

Acho uma bagunça essa infinidade de atualizações. Deveria ser mais separado. Tive essa mesma percepção quando fiz a minha conta no Facebook;

O Orkut agora tem uma ferramenta que substitui o uso do Twitter. É uma boa opção para quem não entendeu ou usa o Twitter;

Achei muito legal ver as fotos das últimas pessoas que entraram no meu perfil. Antes apresentava só o nome e você tinha que entrar para ver quem era a pessoa;

A ferramenta de recados tem boas opções de edição de texto.

Algumas coisas me surpreenderam. Ela entendeu e até achou bacana o modelo de paginação que o Twitter já utiliza e o Orkut trouxe para a sua navegação.

Gostaria de ouvir mais opiniões e percepções de uso da nova versão do Orkut. Aproveite e use os comentários. Não deixem de participar.

A página inicial ideal

Em mais uma discussão super produtiva com o Daniel Souza, Planejador de experiências do usuário na Talk, falamos sobre como deve ser o comportamento de uma home ideal.

Toda vez que começo projetar um novo site, existem uma série de discussões e uma grande preocupação em definir o que terá na página inicial, para logo em seguida pensar em todo o restante. A verdade é que o conteúdo que está além dessa página deve receber um tratamento especial. A home precisa fazer com que o usuário sinta-se motivado a descobrir novos conteúdos existentes no site. Funciona como uma página inicial de um livro, revista ou jornal.

O livro “Design de Navegação – Otimizando a experiência do usuário” há um capítulo onde o autor explica que é muito importante pensar nas principais páginas de conteúdo antes de projetar a página inicial, pois o foco está mesmo nessas páginas internas. Nem sempre o usuário entra em um site a partir da primeira página, sendo que muitas vezes ele pode vir de um mecanismo de busca como Google ou Bing, lançado recentemente pela Microsoft.

Analisando alguns sites que consideramos bem resolvidos, percebemos que existe uma simplicidade e um objetivo muito claro na conversão de um cadastro ou mesmo de uma venda, dependo da empresa.

Esses sites possuem uma divisão muita clara na página inicial.

Como devemos fazer isso

O objetivo é fazer com a que ação que você quer que as pessoas tomem seja realizada. A página inicial precisa fazer com que os usuários conheçam, sejam persuadidos e sintam-se seguros em suas decisões.

O site para baixar a última versão do Firefox é um bom exemplo de tudo aquilo que falei acima. A página apresenta imediatamente a opção para baixar a nova versão, acompanhada de uma vitrine listando os benefícios que a ferramenta proporciona aos usuários. É possível ver também um tour com algumas vantagens do Browser.

home_mozilla_firefox

Faça um exercício e tente perceber a estratégia por trás de alguns sites bacanas que você acessa durante o seu dia.

Vou listar alguns que acho bem resolvidos.

Remember the milk
TweetDeck
Skype

Mas esses sites não são simples demais?

Alguns clientes não entenderiam ou aprovariam uma interface que pode ser considerada simples, e isso é fácil de entender. Normalmente os donos de projetos web têm que negociar entre as diversas unidades de negócio de uma empresa o que é mais importante *para o usuário* na web, e essa é uma tarefa ingrata que acaba influenciando no resultado.

E esse portfólio de produtos/serviços da empresa disputam espaço de tela e atenção das pessoas. É o mesmo problema que eu enfrentava quando trabalha com impressos. Normalmente os clientes queriam colocar todas as informações possíveis em um cartão de visitas.

Cabe a nós, que projetamos sites, fazer com que a página inicial transmita o objetivo que o cliente deseja atingir. É um trabalho de evangelização dos nossos clientes.

Design de Navegação Web

design_navegacao_webTerminei de ler o livro “Design de Navegação Web – Otimizando a experiência do usuário” escrito por James Kalbach e publicado pela O’Reilly. A publicação foi lançada recentemente em Português e faz parte de uma coleção de vários livros muito interessantes sobre Internet e tecnologia.

O “Design de Navegação Web” é dividido em alguns capítulos teóricos e outros com muitos exemplos de boas práticas de navegação web.

O capítulo 2 “Entendendo a Navegação” mostra como os usuários realizam a busca por informação de uma maneira geral. O legal é perceber que tudo isso é embasado na metáfora do comportamento das pessoas no mundo físico.

A busca por informação muitas vezes está relacionada ao contexto e necessidades dos usuários. Algumas vezes você sabe exatamente o que quer, mas em outros momentos você tem apenas uma ideia geral daquilo que deseja encontrar.

O livro também apresenta os importantes mecanismos de navegação como migalhas de pão, nuvens de tags, barras de navegação, menus, entre outras possibilidades. Dessa forma é possível entender todos os mitos discutidos ainda hoje quando se começa a projetar um site.

Alguns capítulos que não podem passar em branco.

Rotulando a navegação: Dar bons nomes aos bois é uma importante tarefa que quando bem realizada também facilita a navegação.

Arquitetura: A arquitetura de informação precisa ser pensada de forma estratégica, e que tenha um roteiro para que os usuários possam encontrar aquilo que desejam.

Layout: O layout não tem um papel apenas decorativo, precisa ser persuasivo.

O mais interessante desse livro foi perceber que existem numerosos mecanismos de navegação para que possamos resolver nossos problemas de interface. Não existe uma receita mágica, e sim muito bom senso e testes com quem irá utilizar o sistema de navegação.

O livro possui uma linguagem simples e direta e é recomendado para quem de alguma forma está envolvido em um projeto online.

Arquitetura de informação em embalagens

O problema que as pessoas alérgicas têm para entender o que está escrito nas embalagens está com os dias contatos. Uma decisão da justiça promete tornar essas informações mais fáceis de serem consumidas.

A ideia é que as informações mais importantes em relação aos derivados dos produtos sejam destacas e os rótulos menos técnicos possíveis. É o velho problema de usar o rótulo que seja entendido somente por quem fabrica o produto.

Será que teremos arquitetos de informação trabalhando em conjunto com o design de embalagens?

Impressões sobre o 3° EBAI

EBAI 2009

Participei nesse final de semana do 3° EBAI – Encontro Brasileiro de arquitetura de informação que segundo a Carol Leslie, uma das organizadoras do evento junto com o Guilhermo Reis, devem pensar em mudar o nome do evento que trata de todos os temas que estão relacionados com a experiência do usuário.

O evento esse ano contou com a presença de mais pessoas que o ano passado. As palestras foram ainda mais surpreendentes e muito bacanas.

A Silvia Melo e o Fabrício Teixeira da AgênciaClick abriram o congresso apresentando o case de criação do atual site da Fiat. O projeto está no ar a mais de um ano. A surpresa bacana foi saber que eles tiveram a oportunidade de pensar em várias soluções entes de chegar ao resultado final, além de terem realizado testes com os usuários para ver o que funcionava bem ou não.

Logo em seguida houve a apresentação da Maria Célia Furtado, mostrando o resultado de uma pesquisa de arquitetura de informação para o Diálogo no Governo-Cidadão através da rede. A Maria Célia utilizou o evento para trocar experiências e enriquecer ainda mais o seu trabalho. Pena que a arquitetura de informação continua sendo um processo muito político dentro do Governo. Mas o legal é ver que existem pessoas que querem trabalhar para que haja mudanças nesse aspecto.

Depois foi a vez da Gisele Rossi e a Tâmara Baía mostrarem os desafios de trabalhar com diferentes plataformas e formatos no Instituto Nokia de Tecnologia - INDT. O interessante foi ver que os times estão bem alinhados em relação à experiência do usuário e a tão falada metodologia Scrum.

Ricardo Grandinetti, da Fhios Brasil, contou como é difícil vender o trabalho de experiência do usuário no Brasil. Os arquitetos precisam vender o resultado do seu trabalho, e não a metodologia que será utilizada.

Gil Barros, consultor em usabilidade, levantou uma das reflexões mais interessantes do EBAI. Ele comentou sobre as diferenças entre o pequeno e o grande arquiteto de informação. Citou alguns textos interessantes e deixou o assunto no ar para que houvessem mais discussões nos intervalos.

O primeiro dia de evento foi fechado com uma palestra mais do que interessante do Andrew Hinton. Ele descreveu sobre a importância do papel do arquiteto dentro das decisões de design de interação de forma mais filosófica e irreverente.

O segundo e último dia do evento foi aberto com a palestra do Alessando Dias, também do Instituto Nokia de Tecnologia, mostrando alguns resultados interessantes em testes de usabilidade com infografia mobile. A preocupação com testes é tão grande que o Instituto possui um laboratório de usabilidade móvel, em casos onde eles não conseguem levar os usuários para o laboratório.

Logo em seguida houve a palestra do Leandro Gejfinbein, líder do time de UX da Globo.com. O Leandro apresentou algumas idéias sobre nova visão da arquitetura de informação dentro da Globo.com. É certo que ainda estão realizando alguns testes, mas gostei da ideia de trabalhar de forma mais integrada e menos burocrática. Menos documentação e mais comunicação. A função do arquiteto nesse novo cenário é pensar na narrativa da experiência com o consumo de informação.

Paola Sales apresentou uma pesquisa muito interessante de um teste de usabilidade na influência cultural dos gestos de interação das pessoas com a navegação mobile. O resultado foi enriquecedor. Parabéns Paola.

As palestras do Felipe Lavor da Calandra Soluções e do Rafael Kiso da Embraer mostrou a importância de pensar em ferramentas úteis para o uso corporativo. Acho que os arquitetos de informação ainda são mal aproveitados dentro das empresas.

As discussões no horário de almoço também foram bacanas. Além de conhecer pessoas que ainda não conhecia pessoalmente como o Renan e o Marcelo Eduardo, tive a oportunidade de ouvir o Marcelo Eduardo falando sabiamente sobre trabalho que é realizado pelo time que trabalha com ele no Instituto Nokia de Tecnologia.

Os alunos do Fred e ele apresentaram o resultado de um estudo sobre o comportamento da classificação das informações na Rede. Esses trabalhos servem para enriquecimento teórico de nossos profissionais.

felipe_memoria_ebai

Felipe Memória teve a responsabilidade de fechar o evento e eu sabia que não iria decepcionar. Assumiu o palco como um grande craque, que infelizmente está faltando ao time do seu coração, o Fluminense.

O mestre Memória contou como foi o aprendizado ao sair da zona de conforto e mudar para um lugar totalmente novo. Contou as diferenças do processo de trabalho fora do país e deixou todo o auditório sem piscar os olhos com slides diretos e enriquecedores. Serviu de aprendizado para quem deseja trabalhar fora do Brasil.

Já que o Felipe tem o hábito de fazer suas listinhas, também fiz a minha com coisas sábias ditas por ele.

Um slide para cada ideia;
Quanto mais sênior, menor tem que ser o seu e-mail;
Trabalhe muito para se tornar um bom profissional;
Vá com tudo quando tomar uma decisão de trabalhar em outro lugar;
Não seja certinho demais e não tenha medo de ser mandado embora;
Deixe de mandar e-mails e participar de reuniões o dia inteiro;
Trabalhe por amor, e não por dinheiro.

Nos encontramos no ano que vem

Estratégia de arquitetura de informação do R7

Entrevistei Carla Martins, líder da equipe de Arquiteta de Informação da Rede Record e uma das profissionais envolvidas na criação do novo portal de notícias da Record, R7.

Como sempre que é lançado um projeto de alta repercussão todo o mercado manifesta sua opinião. No caso do R7 muitas pessoas falaram que foi realizada uma cópia do G1.

Você poderia falar um pouco sobre a estratégia adotada na arquitetura de informação do projeto?

Olá, Rogério. Antes de mais nada, gostaria de agradecer todas as mensagens que recebi via e-mail, twitter, gtalk e MSN de colegas nossos de profissão.

A segunda-feira após o lançamento da primeira fase do R7 foi recheada de conversas muito ricas. O feedback de profissionais competentes e envolvidos foi impagável! Acabei conversando e encontrando, até, novos talentos! Acredita?

Percebi que a falta de qualidade de nossa lista de discussão, que já foi tão rica e que hoje chega a ser uma local lamentável , acaba sendo compensada por conversas paralelas (por meio de outras ferramentas) riquíssimas!

Ainda bem que alguém teve a sapiência de enviar um tópico uma vez, com a proposta de trocarmos nossos MSNs, quando começou-se a perceber o decréscimo da qualidade das discussões, lembra?

Bom, mas vamos lá. Fui a primeira profissional de desenvolvimento a ser contratada para o R7. Cheguei antes do Diretor de Criação e até do Gerente de Projetos. Esse fato é só um detalhe, mas demonstra a importância que o diretor deposita na nossa área e foi um dos motivos que me fez aceitar a proposta da Rede Record. A AI veio para fazer parte da concepção de tudo, da estratégia, e isso é uma evolução e tanto! Cheguei no começo de junho e o site tinha que ser lançado dia 27 de setembro, por conta do aniversário de 56 anos da emissora. A data não poderia ser negociada e o prazo era extremamente curto.

Ao chegar, o Diretor de Jornalismo já tinha preparado, com seu board, um documento enorme, com mais de 150 slides, cheio de referências, principalmente de sites internacionais, com seus pontos fortes e fracos. A partir daí, estudei o documento e passei a realizar reuniões diárias com eles, cada uma com duração de horas e mais horas, objetivando chegarmos a um escopo para a primeira fase do projeto, que deveria ser desenvolvido em tempo recorde.

Em paralelo a isso, fui elaborando um mapa do site e um fluxograma. Após tudo decidido e o sitemap inicial aprovado, passamos para a concorrência com as empresas terceiras, das quais sairia a escolhida para realizar os testes de usabilidade. Nesse meio tempo, contratei as duas primeiras AI da equipe, que ainda vai crescer bastante. Realizamos Card Sorting com 32 usuários e, com os resultados, alteramos o sitemap para a sua versão final, reduzindo as cinco grandes áreas do portal para quatro, bem como reagrupando algumas seções e mudando outras de lugar. A partir daí, partimos para a elaboração dos wireframes, que era apresentado e aprovado por pacotes.

Utilizamos a função de compartilhar arquivo do Axure, para que pudéssemos trabalhar ao mesmo tempo nos wireframes. Paralelamente a isso, participava de reuniões frequentes para a escolha do fornecedor do CMS, que teria que customizar a ferramenta para as nossas necessidades. Ao mesmo tempo em que o layout era feito sempre respeitando a AI, à base de muita conversa e parceria entre os DAs e a nossa equipe, e que orientávamos a equipe de desenvolvimento como um todo, ajudávamos a empresa contratada para fornecer o CMS com os requisitos e regras de negócios.

Acessibilidade e SEO também foram pontos bastante priorizados. Depois vieram os testes de Análise de Tarefas, que fizemos internamente mesmo, por conta do prazo, que corria. Fora isso, o background dos jornalistas e a experiência com a audiência que eles trouxeram foi de grande ajuda!

Para pensarmos o portal, levamos em consideração que o site precisava ser fácil de navegar, fácil de carregar, fácil de ser encontrado pelos mecanismos de busca, rápido, intuitivo e, do ponto de vista da redação, com níveis de customização e liberdade aceitáveis.

Além disso, precisava orientar a todo momento onde o usuário está (porque o portal é grande, mas será muito maior) e ter muito espaço para apelo visual, pois um dos objetivos é falar de maneira especial com a camada mais popular da sociedade, em termos de linguagem, ferramentas e tal. Muitos infográficos, sobre assuntos do dia-a-dia, muita foto, glossários, agendas e páginas especiais de serviços são alguns exemplos.

O site ainda terá outras fases de implementação e possui, em seu guarda-chuva, muitos outros sites e portais. Por isso, teve que ser desenvolvido de uma maneira a comportar atualizações e constante mudança de manchetes e forma de apresentá-las, outra característica marcante do R7: atualização minuto a minuto (por isso a contratação de tantos jornalistas).

A Globo.com talvez tenha criado uma tendência de estrutura e navegação em sites de notícias. Como foi o pensamento de mudança nesse sentido?

Não fizemos o portal pensando no que iríamos mudar, simplesmente para dizer que mudamos e que somos “diferentes”. A mudança no cenário da internet vem com o tempo, com as atualizações do site, as demais fases, o tipo de conteúdo, a integração entre TV e internet. Quem pensou que veria um menu no centro da página girando, com um fundo roxo e bolinhas amarelas piscando, sinceramente, subestimou demais a palavra inovação que foi utilizada na campanha de lançamento.

Só um profissional incompetente e inconsequente faria diversos testes de usabilidade, com modelos mais tradicionais e outros totalmente inovadores, avaliasse os resultados, notasse que o modelo tradicional foi muito mais aceito e considerado confortável para os usuários navegarem e optasse pelo “inovador”. Fizemos testes e são eles que devemos seguir, afinal, opiniões não têm embasamento científico. Inovar para ninguém usar não era o caminho e nem o nosso objetivo, vale ressaltar.

Realmente li muita gente, usuários comuns que não trabalham com internet, falando que acharam o site parecido com o da Globo, alguns falaram sobre iG e muitos falaram do G1. Mas eles são usuários comuns. Viram uma home branca, com cores dividindo as seções e menu vertical e não passaram disso em suas análises. Não viram as páginas internas, as homes de seções, a parte de vídeo, a home da Rede Record. O portal não é só a home, que foi pensada levando em consideração dezenas de fatores e a vontade dos usuários testados, acima de tudo. Agora, os profissionais de internet que disseram ser o R7 uma “cópia descarada” do G1 é que me assustam.

Para quem não sabe, os portais de notícias que existem hoje também são baseados em referências, convenções e tendências. Esses dias, postei algumas dicas sobre isso (link: http://www.carlamartins.com/blog/2009/09/10-dicas-para-melhorar-a-usabilidade-de-ambientes-digitais/). Analisando o texto (originalmente em inglês), nota-se que as convenções estão aí, e fizemos sim uso delas. para mim, isso é um ponto positivo e não negativo.

Se lembrou algum outro site, é porque esse mesmo site também utilizou as convenções. Entre essas dicas posso citar: Tamanho da caixa de busca, Espaços brancos melhoram a compreensão, Design clean. Isso não foi descoberta de nenhum portal brasileiro, isso já vêm sendo utilizado há tempos e tem livros e livros, artigos e artigos que tratam do tema. Então, não foi nenhum site que ditou o layout do R7 e, sim, as boas práticas, as convenções, nossos testes, nosso background e todos os estudos que realizamos.

Sendo o Design uma ferramenta dentro da Arquitetura de Informação, porque não procuram inovar nessa questão? Talvez fazer um projeto mais minimalista?

Acho que essa resposta já foi discutida acima. Pensemos que um portal desse tanmanho precisa ser atualizado via sistema de administração, os itens de menu, no R7, também são dinâmicos, ou seja, podem ser criados ou excluídos do menu, dependendo da permissão do usuário. Esse é apenas um fator que foi determinante, por exemplo, para termos decidido planejar um menu vertical. Um site como esse não deve ser pensado apenas para ficar bonito e ser fácil de navegar para os usuários, ele deve, também, ser “atualizável” de maneira satisfatória e eficiente. E disso dependem muitas decisões tomadas na fase de AI. E no meio de tudo isso, falar apenas de inovação e ineditismo é a provar de que a grande maioria dos críticos entende muito pouco de um projeto como esse.

Houve alguma pesquisa de mercado antes da criação do portal? Utilizaram alguma outra metodologia de um projeto centrado no usuário?

Sim, houve pesquisa de mercado. Sobre testes, fizemos Card Sorting, Análise de Tarefas e, agora, estamos iniciando outra rodada de Análise de Tarefas. O próximo passo será estudo de Eye Tracking. Além disso, analisaremos e estudaremos constantemente as métricas do site.

Vocês utilizaram o WordPress como gerenciador de conteúdo? Como foi o treinamento dos jornalistas que atualizam o site?

Não, apenas para os blogs. O treinamento dos jornalistas para a utilização do CMS foi intenso, levou várias semanas e foi apresentado em módulos, para cada equipe em separado, já que cada seção tem suas particularidades. Acompanhei os treinamentos, tirei algumas dúvidas dos jornalistas sobre as possibilidades do sistema e, como não tivemos prazo suficiente para elaborar a AI do CMS, acabei estudando o CMS, percebendo alguns itens que tinham pouca usabilidade e solicitando correções. Devido ao prazo, nem todas puderam ser realizadas antes da estreia, mas já estão em andamento.

O que podemos esperar em termos de evolução do portal. Teremos uma grid fechada para cada programa?

Não posso dar muitos detalhes sobre isso. O que posso adiantar é que estamos estudando e elaborando a AI de alguns sites especiais e que, brevemente, todos os sites de programas serão refeitos. O trabalho está só começando, a equipe vai ter que aumentar muito e, até agora, estou muito realizada e satisfeita de ter topado o desafio e, principalmente, de saber que minha equipe também está feliz da vida. Aproveito o espaço para agradecer imensamente a Karin Althuon e a Renata Azevedo, pelo envolvimento, competência e amizade! Uma equipe unida só podia dar nisso. :)

Nos próximos posts do meu site, vou falar um pouco sobre detalhes da AI do site e postarei fotos dos bastidores e do lançamento do R7. Sobre métricas, posso dizer que os acessos estão ultrapassando, de longe, minhas expectativas. Sucesso total!

Obrigada pela oportunidade, mais uma vez! Sucesso!

Beijos!

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