O futuro da arquitetura de informação

Publicado em 13/07/2009

Em uma série de entrevistas feitas com os arquitetos de informação no meu blog, de diferentes experiências, rendeu um material interessante para a realização de uma conversa bem legal com o Daniel Souza, que trabalha com planejamento de experiência do usuário na Talk Interactive.

Arquitetura da Informação no Brasil e no Mundo

O fato é que o mercado de AI está na moda e têm muitas pessoas interessadas em entrar na área. Isso gera uma grande quantidade de arquitetos e pouca arquitetura de informação. Significa que ainda temos profissionais com pouco conhecimento e a falta de um pensamento mais centrado no usuário e nas necessidades de negócio dos clientes.

De acordo com um estudo realizado pelo Guilhermo Reis em 2008 , a fase de pesquisa ainda é pouco realizada. Os profissionais estão em sua maioria preocupados com documentação, fazendo wireframes, sitemaps, fluxos de navegação e entregáveis que tem como objetivo orientar a programação e o design das interfaces.

A fase de documentação deve estar toda embasada na etapa de descobrimento e entendimento das necessidades de comunicação digital dos clientes. Devemos extrair o máximo das empresas para que não tenha nenhum ruído durante a concepção dos projetos.

O trabalho do arquiteto precisa ser mais estratégico e o wireframe é apenas uma entrega formal dentro do processo do design centrado no usuário. Não pode ser considerado como um texto em uma estátua que é tomado como verdade e não pode ser evoluído. O arquiteto imagina o que poderia ser ideal e o designer o ajuda com as possíveis evoluções. O trabalho do arquiteto precisa estar cada vez mais próximo do designer, e as soluções precisam ser pensadas em conjunto e evoluídas com todos que estão participando do projeto.

Um projeto interativo deve estar em constante evolução, pois não se trata de um panfleto que você joga na rua e depois percebe que poderia ser melhor. Temos a oportunidade de fazer isso na arquitetura. Por isso que existe a famosa versão beta nas ferramentas do Google. Os projetos não podem ser lançados e abandonados logo em seguida. Eles precisam de evoluções frequentes e de redesenhos de acordo com a necessidade do momento.

Os arquitetos de informação têm um papel importante na equipe de concepção de um projeto e em algumas empresas já trabalham de forma bastante integrada com a equipe de planejamento.

Para entender melhor a atuação e os conhecimentos desses profissionais, foi feito um estudo apresentado no IA summit in Miami 2008 sobre os perfis em arquitetura de informação. A criação e segmentação dos perfis foram identificados em experiências pessoais, entrevistas, discussões sobre AI em blogs e listas de específicas, entre outros estudos.

Facilitador
Facilita e conduz as discussões sobre o projeto, ajudando a entender o problema em busca de uma solução. Tem sempre o cuidado de balancear os interesses da equipe de projetos com os interesses dos usuários. O papel do facilitador é o de ajudar as pessoas que estão envolvidas no trabalho, dando o material necessário para que o projeto seja desenvolvido da melhor forma.

Expert
Analisa a situação e tenta chegar em uma solução eficiente com suporte aos objetivos da empresa e dos usuários. É o profissional que domina toda a parte de documentação e sempre está com uma solução de arquitetura de informação pronta na cabeça. É bastante objetivo em suas soluções.

Designer
Pensa sempre no futuro da solução, analisando os objetivos e pensamentos estratégicos do cliente. Possui a característica de pensar fora da caixa e é especialista em redesign de projetos.

Advogado
Avalia com frequência os resultados do projeto. Mantém sempre a equipe focada nas necessidades dos usuários. Quando não existe possibilidade de mudar o produto ou a estratégia, ele defini os objetivos de métricas e testes com usuários para ver se os prognósticos estão corretos.

O cenário do mercado atualmente

No início existia pouca preocupação com a usabilidade e a internet era voltada para as pessoas que tinham um conhecimento mais avançado em tecnologia, portanto, não existia muita dificuldade em utilizar esses sistemas.

A comunicação digital e a verba para esse tipo de mídia tem crescido bastante a cada ano. Em ano de crise, empresas estão buscando alternativas mais baratas e eficientes. Com o crescente aumento no número de venda de computadores, as oportunidades estão aí para as empresas aproveitarem e terem algum retorno investindo menos dinheiro, comparando-se com as mídias tradicionais.

A revista Veja (Edição de 26 de novembro de 2008) fez uma matéria falando sobre as novas profissões, sendo arquitetura de informação é uma delas. Fico preocupado quando começam a falar demais sem mostrar a verdadeira realidade. As pessoas se atraem facilmente por altos salários e na maioria das vezes nem sabem qual a capacitação que o profissional precisa ter para conseguir sucesso profissional.

A lista de arquitetura possui uma infinidade de pessoas interessadas no assunto e até os clientes começaram a perceber a importância da disciplina, pois sentem falta de uma boa usabilidade quando os problemas começam a aparecer. Os clientes não precisam entender de taxonomia, fluxos de navegação, sitemaps e wireframes, mas precisam perceber que esses documentos servem para mostrar o que foi pensado de forma estratégica e que tudo isso vai trazer algum tipo de retorno.

O mercado evoluiu bastante nos últimos anos, se os clientes estão exigentes, os usuários estão ainda mais. Eles perceberam que alguns sites são difíceis de usar e pedem projetos mais objetivos.

Além das agências de publicidade interativas, temos profissionais espalhados em agências de conteúdo, dentro do cliente, empresas de usabilidade, fábricas de software e até produtoras de games.

Luciana Cattony, arquiteta de informação da Gerdau e editora do blog Planta Baixa, fez uma pesquisa informal na lista de AI no Brasil perguntando quem trabalhava no cliente. Empresas com atuação global já possuem esses profissionais pelos corredores (como por exemplo, Gerdau e Petrobrás), portais (globo.com, UOL, RBS, etc), empresas online (curriculum.com, etc), editoras (Dental Press International), provedores web (Locaweb), bancos (Itaú, Santander, etc), empresas governamentais, empresas de tecnologia e também em algumas Universidades (UFMG, Unoeste, etc).

Delinear o futuro da arquitetura de informação

ux2

Já vivemos a época do design, onde tudo era resolvido com uma linda animação pisca-pisca feito na última versão do Flash. Hoje estamos na era do conteúdo e a arquitetura precisa se adaptar a essas mudanças.

Em um Workshop realizado na Talk durante a útlima semana, tivemos várias discussões sobre novas formas de trabalhar. Esse gráfico acima criado pelo Henrique Brito resumiu tudo que foi discutido em uma semana de conversas sobre esse novo mercado.

Precisamos mudar o tempo que gastamos em execução para que a experiência do usuário seja feita da melhor forma possível. É preciso ter uma estratégia de conteúdo que seja pensada juntamente com arquitetura, design e desenvolvimento. Muito mais estratégia e menos execução.

Todo mundo já deve ter ouvido falar no termo Web 2.0, e ele começou ser empregado quando a internet deixou de ser estática e começou a se tornar participativa. Hoje temos blogs, wikis, redes sociais, portais corporativos e intranets, onde os participantes possam contribuir e construir conteúdos relevantes. Um dia desses percebi que leio mais blogs que portais de notícias como globo.com, UOL, Terra e etc.

Tenho visto algumas discussões e até mesmo preocupações em posicionar o arquiteto de informação dentro de uma equipe. Alguns acham estranho quando esse profissional faz parte da área de criação ou planejamento. O arquiteto de informação do futuro, ou melhor do presente, precisa ter uma cabeça mais voltada para o planejamento de uma estratégia de conteúdo e fazer com que suas documentações e análises se tornem mais úteis aos clientes e usuários. Precisa ser um questionador e propor aos clientes soluções criativas e não produtos.

Peter Morville, um dos autores mais renomados em AI, fez uma apresentação no IA Summit 2008, falando sobre o desafio do arquiteto de informação com a Web 2.0 e como fica o trabalho desse profissional nesses novos ambientes (arquitetura de informação 3.0).

A arquitetura de informação contempla, na opinião de Morville, a habilidade de criar uma camada de estrutura para o conteúdo e a classificação criada pelos usuários. Ou seja, deixar o usuário criar conteúdo e classificações, e depois organizar isso e otimizar as formas de apresentação e de busca. Além do planejamento estratégico de comunicação, é preciso pensar em uma estratégia de conteúdo que será evoluída de acordo com o período e necessidades dos usuários.

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  1. Execelente post, Rogério.
    Nós aqui da Mídia Digital em Curitiba sempre estivemos inseridos dentro do setor de planejamento. E concordo plenamente com o pensando voltado á estratégia, enquanto o WF é somente a estratégia traduzida em interface e interação.

  2. Ale Nahra disse:

    Belo post! Reflexões como essa são importantes para o nosso mercado ainda tão imaturo.

  3. Tatiane da Hora disse:

    Parabéns pelo post Rogério.
    Estou muito interessada a entrar na área da AI, e suas observações foram bastante precisas.Esclareceu muitas dúvidas minhas. Agora comecei a me situar melhor e entender esse novo mercado.Obrrigada pelas contribuições.

  4. Gosto do assunto e da discussão e achei bacana o post, mas acho que o ponto é ainda um pouco diferente. É mentalidade dentro do mercado. Não me preocupo mto se novas pessoas entram no mercado de AI, vindos pela moda ou não, aliás sou da opinião q AI ñ existe estagiário, existe assistente no máximo e outros níveis, AI deveria ser como Gerente de Projetos, q qdo vira é pq o cara conhece bastante outras áreas, mas me preocupo mto mais se as empresas que empregam AI estão dispostos realmente a dar o espaço necessário para que o papel de AI seja feito.

    Trabalhei alguns anos como AI no mercado publicitário de SP e o que eu vi foi frustante. Primeiro, ñ há mto importância realmente com AI, pois a maioria dos trabalhos são feitos a toque de caixa, pra ontem e viabilizando a entrega e o buzz. A AI que é feita ali é mais aquela do bom senso, que é mudada qdo é óbvio que uma solução é ruim. Eu duvido que qquer job desses que ganham FWA e são elogiados tem alguma AI investida. Não tem, ou se tem é 1 cara q se matou pra wireframizar o briefing e algumas reuniões. É tdo no achismo e experiência da equipe que sabe o que é bom e o que é ruim baseado no tempo e trabalhos que já desenvolveu.

    Primeiro, AI tem q ter pesquisa, mensurar dados, pensar em soluções viáveis dentro do contexto daquele usuário. Quem por aqui faz isso? Dá uma olhada nos trabalhos que uma Adptive Path faz. Alguém por essas bandas rabisca de maneira igual? Onde está? Quem faz? Talvez o único trampo legal de AI q vi ser feito foi a Globo.com.

    E eu juro que gostaria de ver, adoraria mesmo. De ver bons resultados, de verdade, trabalhos bem executados e com uma AI respeitável. Coisa usável realmente. Ou melhor, gostaria de fazer e participar de algo do tipo.

    De nada adianta ter documentação e prototipação, qdo na vdd as pesquisas não foram feitas e o que é montado é baseado no achismo, afinal cliente não quer pagar por isso, a equipe interna não tem idéia do que é, é algo que não é visto, aliás é mal-visto, pois não é pálpavel nem entregável.

    E é isso, rs, mal ae pela bíblia. É um assunto que me interessa, mas q me irrita mto tbém, pois já tive q passar por situações nada interessantes.

    No mais. um dia talvez teremos, a não ser q estejamos lá fora brincando.

    abçs man.

  5. Lucas Sant'Anna disse:

    Post excelente! Pena a luta ser tão árdua para ‘ser um questionador e propor aos clientes soluções criativas e não produtos’, mas muito da nossa profissão está toda aí. Vê quem consegue. Parabéns.

  6. Bem, eu não acho que vale a pena ficar batendo na tecla, mas como falei falei no twitter quando uma amiga em comum postou seu link vou soltar meus 2 centavos (chatos) por aqui:

    AI é uma skill. O mercado transformou em um cargo, que tem a mesma importância do nome “Engenheiro” do cara que faz o front end ( Front end Engineer ).

    Enquanto temos ainda essa separação planejamento – criação em agências, quando vc cria produtos, existe o time… de produto :) Que basicamente é a união das skills que vc tem no planejamento com a da criação + a tecnologia pra deixar todo mundo com o pé no chão e não viajar na maionese.

    Vc não tá errado quando fala, essa é a realidade do mercado brasileiro que se limita em sua grande maioria a web. Falar de UX em web é realmente as vezes fechar no trio que vc colocou (Planejar + criar + executar). Não entrando em definições de termo, isso não é UX, mas sim PARTE (importante) da UX. A experiência é TODO relacionamento de um user com um produto, inclusive o que vc citou no seu texto: o que acontece depois. E antes dele usar?

    Respondendo parte das suas perguntas, de não deixar um produto solto depois de lançado etc, e de melhorias incrementais: Isso é o chamado Agile. é input do usuário gerando melhorias constantes em um produto. Unir o Agile, inicialmente pensado só pro desenvolvimento com o design (gerando o buzzword AgileUX) é indispensável hoje em dia não só pra lançar + pra manter um produto de sucesso.

    Voltando agora no “core” da questão: E o AI? que diabos tem a ver com isso? O ai tem que assumir o papel real dele, seja esse um designer de interação, seja esse um designer de informação, seja esse um especialista em usabilidade ou como alguém colocou ai nos comentários o cara que sabe tudo (Estratégista? de UX – outro termo engraçado)

    No final, vale a pena simplificar. Somos todos Designers. Projetistas. Projetando o que acreditamos ser a experiência que vai gerar impacto positivo, retorno, ROI pro projeto. Que vai levar aos usuários o que eles precisam e estão dispostos a dar algo em troca por isso. O foco que vc como designer vai ter, cabe a suas capacidades e habilidades, e entre elas a AI é de SUMA importância para um trabalho sério e com qualidade.

    Eu contratei vários arquitetos de informação de agências web. Todos são designers hoje. Todos lidam com interação, e eles assumem papéis em cada projeto. Seja PO (product owners do scrum) seja Lead Designer – Responsável por todo o produto, seja o que for. Mas no final é todo mundo designer. Quando eles passarem a criar o produto desde a primeira pesquisa de mercado, até a última que define como o produto tá sendo recebido e com isso criar a versão 2, ai eles deixam talvez de serem designers de interação e possam assumir o papel real de “Designers de UX”. Afinal o design de interação é como a AI uma skill dentro desse guarda chuva enorme chamado UX.

    Apesar de saber que isso não vai mudar nada, afinal de contas o mercado no brasil é Web (infelizmente! pq posso garantir que não projetar pra mouse e teclado é bem divertido) e o Arquiteto de informação se tornou uma figura “mítica” com um monte de novato olhando e falando “nossa, quero ser arquiteto”.

    O bom é rir mesmo da nomenclatura e se divertir. Afinal o Arquiteto é tão arquiteto quanto o Diretor de arte é diretor e o Scrum master é master em alguma coisa :)

    Abs

    Marcelo

  7. Rogério: desculpa pelo “comentário-livro” :) Mas acho legal passar a mensagem de quem tá de fora do mercado web, e vendo isso tudo por outro ângulo!

    Abs!

  8. João de Freitas disse:

    Fala Rogério, belo post! Cada dia mais vemos essas necessidades. Clientes também vem respeitado muito o trabalho e é legal quando demostram que confiam nas estratégias e interfaces criadas.

    Abração

  9. Marco Moreira disse:

    Esses dias eu andei pensando “Po, mas o designer tb não tem que atender as necessidades dos usuários?”, assim como o designer de produto que cria uma interface do automóvel usável ou uma cadeira, um mouse… e para que ele faça um produto perfeito é óbvio que ele precisa pesquisar o contexto de uso, da ergonomia e conhecer as disciplinas que envolvem o desenvolvimento de um produto, pois este será feito para alguém.

    Achei legal o que o Marcelo disse sobre “Todos somos desingers” e me fez pensar que, quando me formei em design não se falava muito em necessidades dos usuários. Os designers pensavam (e muitos ainda pensam)neles mesmos, não em quem irá utilizar e de que forma irão utilizar o produto, ou site.

    Acho que o “AI” já deveria estar inserido dentro da palavra “design” que significa projeto, mas parece que a ficha está começando a cair agora, com sites e sistemas maus construídos por gestores e designers que só pensaram neles, por isso o AI tá em alta, mas no fundo essa noção que temos de planejamento, usabilidade, design e tecnologia, todos os “webdesigners” deveriam ter desde o começo.

    Assim como o Photoshop, Flash, 3D, Corel Draw e etc, deslumbram o designer fazendo-o as vezes esquecer de seu objetivo, o Axure, Vísio, Omnigraffle e outros programas que fazem WF também podem deslumbrar a nova leva de “AIs”. Acredito sim que haja espaço para o “Photoshopeiro” e para “Axureiro”, mas acredito que a parcela mais bem valorizada da área será sempre para quem pensar estrategicamente com o negócio do cliente traduzindo tudo numa experiência legal para o usuário. O software apenas concretizará o que foi planejado.

    Rogério, mais uma vez mandou muito bem no conteúdo, por isso rende longas discussões!

  10. [...] O futuro da arquitetura de informação, por Rogério Pereira [...]

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