Ale Nahra é arquiteta de informação e editora de conteúdo com atuação independente. Atualmente trabalha como gerente de arquitetura de informação na Agência Salve e como consultora para a UNESCO no acompanhamento do projeto de reformulação do portal do Ministério da Educação – MEC. Escreve regularmente sobre arquitetura de informação e a vida em geral no blog www.typewriter.com.br

O que é Arquitetura de Informação pra você?
Quando tenho que explicar para quem não conhece, digo que é a atividade de organizar a informação que será apresentada em um ambiente digital de acordo com as necessidades do cliente ou do produto (o dono do site), de maneira que faça o máximo de sentido para o usuário.
Vejo a arquitetura de informação como um dos elementos, ou disciplinas, capazes de fazer a ligação entre o planejamento e o produto final, no âmbito de projetos digitais. Como bem disse a Carla Martins em um post no blog dela, a AI é a ponte entre estratégia e interface. O conhecimento tanto do negócio do cliente quanto do usuário, que é fundamental na maioria dos projetos digitais, dá ao AI elementos para uma atuação mais ampla no planejamento de ações, presença e experiência digital. Meu trabalho especificamente tem um forte viés de estratégia, é essa visão que eu procuro trazer para os projetos que participo.
Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?
Eu sou jornalista, e em 2000 fui chamada para ser editora do site de uma das revistas da Editora Três (que publica Istoé, Dinheiro, Gente, e a revista que eu era editora, Planeta). Cheguei lá e o site não existia. Comecei a planejar as seções, tomando decisões editoriais, e a desenhar a estrutura da home page, duplando com o diretor de arte. Mais tarde descobri que isso que eu estava fazendo se chamava arquitetura de informação e descobri também que eu nasci pra isso!
A arquitetura de informação combina muito com a minha personalidade… Em 2003 fui fazer parte de uma equipe que estava organizando a reformulação de um site do governo. Coube a mim a reflexão sobre a estrutura proposta para o site e a comunicação com a equipe de TI. Então comecei a estudar, pesquisar, aprender. Mas considero que aprendi mesmo mais tarde, completamente na prática. Nos meus primeiros projetos especificamente de AI, eu era freela e trabalhava sozinha. Não foi nada fácil, mas fui aprendendo com livros, blogs de arquitetos mais experientes, e com meus próprios erros. Com isso acabei adaptando as metodologias existentes e criei um método pessoal que tenho aplicado, com variações, em todos os projetos desde então.
E as maiores dificuldades no trabalho diário?
Conseguir que o cliente se disponha a gastar mais e ter paciência para realizar testes com usuários. Especificamente em agência, a discussão do lugar da AI: no planejamento ou na criação? Como fazer com que o diagnóstico e o planejamento sejam úteis, e não limitantes, para a criação? Fazer com que a equipe criativa acredite no diagnóstico/planejamento também pode ser um problema às vezes.
Quais ferramentas você recomenda para a entrega dos projetos?
Eu gosto de prototipar o máximo possível, e pra isso, tanto na agência quanto nos meus projetos de consultoria, utilizo o Axure. Prototipar evita muito retrabalho. Quando possível, gosto de usar o protótipo para testes informais internos ou com usuários. Para a equipe interna também é uma ótima forma de comunicar decisões de interação e elementos de interface. Para wireframes simples gosto de usar o Illustrator. Faço sitemaps e fluxogramas no OMNIGRAFFLE (para Mac). E não dispenso o bom e velho Excel para webcontent e inventários de conteúdo. E como boa parte do meu trabalho é diagnóstico, análise, planejamento, tendo a abusar do Word às vezes até demais.
Como você vê o mercado atual e como ele deverá evoluir?
Atualmente, o principal problema é decorrente da falta de parâmetros digamos, oficiais, para avaliar um arquiteto de informação, o que faz com que as empresas muitas vezes não saibam (e não consigam) contratar bem. O resultado disso é a falta de valorização e conseqüente má remuneração. Mas acho que de maneira geral o futuro é positivo. Já está estabelecida a importância da arquitetura de informações em projetos digitais, e isso ao mesmo tempo abre postos de trabalho e cria a necessidade de especialização cada vez maior.
E o futuro de um profissional especializado em Arquitetura de Informação?
Um profissional de AI tem muitos caminhos, inclusive em disciplinas que transcendem a arquitetura de informação. Acho que o conhecimento de um AI o habilita a trabalhar em variadas atividades. Mas é importante que o AI procure seu nicho. A atuação da AI é muito ampla, e é estressante pensar que devemos ser bons em todas as atividades que fazem parte da AI. Eu, por exemplo, não tenho muita afinidade com design, por isso meu ponto forte não é o desenho das interações na interface um caminho que pode ser seguido por quem veio do webdesign.
AIs que vieram da biblioteconomia podem se especializar na criação de taxonomias e gerenciamento de folksonomias. Já o AI com inclinação estratégica tende a se aproximar cada vez mais do planejamento. Claro que estou pensando em um mercado maduro, com equipes formadas por vários profissionais. Atualmente a realidade do mercado brasileiro ainda não comporta esse tipo de especialização. Pelo contrário, muitos vezes os AIs têm que planejar, pintar, desenvolver, cuidar do SEO, mexer em código, fritar ovo e cantar.
De qualquer maneira, acredito que o profissional de AI deve procurar ter uma visão estratégica, e assim tende a ocupar cargos cada vez mais decisores.
Onde busca referências criativas para o seu trabalho?
No dia-a-dia digital: Twitter, links ao acaso, blogs de amigos e desconhecidos, redes sociais, sites consagrados como Boxes and Arrows, revista Wired, as listas de discussão do Information Architecture Institute e IxDA. Na vida off-line: observando interações de pessoas com objetos físicos e digitais, e interações de pessoas com outras (o que chamamos de relacionamentos).
Em viagens, na corrida, em leituras de revistas e livros (técnicos e literatura), no cinema, em boa comida e café, em conversas com amigos, palestras, cursos, arte, família e animais.
Acredito que o repertório de um bom profissional, independente de qual sua ocupação, é grandemente formado por experiências interessantes e uma vida rica em interações e reflexões.
Gostaria de deixar uma dica para quem está iniciando na área?
Se você está no começo da vida profissional, procure um estágio. Nada melhor que ver como os outros fazem. Procure informação para ser uma pessoa inteligente e interessante – independente de ser um AI ou um contador. Leia bastante para aprender a escrever e formar repertório sobre o mundo. Assine as listas de discussão internacionais e siga links e dicas de leitura. Se possível, vá a algum evento internacional. Converse com outros AIs e aprenda como as outras pessoas fazem.
Tags: arquitetas de informação, arquitetura de informação, entrevistas, Profissão, Tecnologia
Bem legal, gostei da entrevista dela.. Já ouvi falar bem.
Abraços
Ótima, entrevista e com bastante dicas interessante, espero q continue sempre assim. Essas entrevistas vieram em boa hora, pq estou iniciado em AI. Fui!!!!!
Gostaria demostrar nossas escadas através do nosso site Escadas em concreto de alta resistencia e desempenho e especiais de Vidro
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