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Estratégia de arquitetura de informação do R7

Publicado por rogeriopa em 29/09/2009 15:22:13

Entrevistei Carla Martins, líder da equipe de Arquiteta de Informação da Rede Record e uma das profissionais envolvidas na criação do novo portal de notícias da Record, R7.

Como sempre que é lançado um projeto de alta repercussão todo o mercado manifesta sua opinião. No caso do R7 muitas pessoas falaram que foi realizada uma cópia do G1.

Você poderia falar um pouco sobre a estratégia adotada na arquitetura de informação do projeto?

Olá, Rogério. Antes de mais nada, gostaria de agradecer todas as mensagens que recebi via e-mail, twitter, gtalk e MSN de colegas nossos de profissão.

A segunda-feira após o lançamento da primeira fase do R7 foi recheada de conversas muito ricas. O feedback de profissionais competentes e envolvidos foi impagável! Acabei conversando e encontrando, até, novos talentos! Acredita?

Percebi que a falta de qualidade de nossa lista de discussão, que já foi tão rica e que hoje chega a ser uma local lamentável , acaba sendo compensada por conversas paralelas (por meio de outras ferramentas) riquíssimas!

Ainda bem que alguém teve a sapiência de enviar um tópico uma vez, com a proposta de trocarmos nossos MSNs, quando começou-se a perceber o decréscimo da qualidade das discussões, lembra?

Bom, mas vamos lá. Fui a primeira profissional de desenvolvimento a ser contratada para o R7. Cheguei antes do Diretor de Criação e até do Gerente de Projetos. Esse fato é só um detalhe, mas demonstra a importância que o diretor deposita na nossa área e foi um dos motivos que me fez aceitar a proposta da Rede Record. A AI veio para fazer parte da concepção de tudo, da estratégia, e isso é uma evolução e tanto! Cheguei no começo de junho e o site tinha que ser lançado dia 27 de setembro, por conta do aniversário de 56 anos da emissora. A data não poderia ser negociada e o prazo era extremamente curto.

Ao chegar, o Diretor de Jornalismo já tinha preparado, com seu board, um documento enorme, com mais de 150 slides, cheio de referências, principalmente de sites internacionais, com seus pontos fortes e fracos. A partir daí, estudei o documento e passei a realizar reuniões diárias com eles, cada uma com duração de horas e mais horas, objetivando chegarmos a um escopo para a primeira fase do projeto, que deveria ser desenvolvido em tempo recorde.

Em paralelo a isso, fui elaborando um mapa do site e um fluxograma. Após tudo decidido e o sitemap inicial aprovado, passamos para a concorrência com as empresas terceiras, das quais sairia a escolhida para realizar os testes de usabilidade. Nesse meio tempo, contratei as duas primeiras AI da equipe, que ainda vai crescer bastante. Realizamos Card Sorting com 32 usuários e, com os resultados, alteramos o sitemap para a sua versão final, reduzindo as cinco grandes áreas do portal para quatro, bem como reagrupando algumas seções e mudando outras de lugar. A partir daí, partimos para a elaboração dos wireframes, que era apresentado e aprovado por pacotes.

Utilizamos a função de compartilhar arquivo do Axure, para que pudéssemos trabalhar ao mesmo tempo nos wireframes. Paralelamente a isso, participava de reuniões frequentes para a escolha do fornecedor do CMS, que teria que customizar a ferramenta para as nossas necessidades. Ao mesmo tempo em que o layout era feito sempre respeitando a AI, à base de muita conversa e parceria entre os DAs e a nossa equipe, e que orientávamos a equipe de desenvolvimento como um todo, ajudávamos a empresa contratada para fornecer o CMS com os requisitos e regras de negócios.

Acessibilidade e SEO também foram pontos bastante priorizados. Depois vieram os testes de Análise de Tarefas, que fizemos internamente mesmo, por conta do prazo, que corria. Fora isso, o background dos jornalistas e a experiência com a audiência que eles trouxeram foi de grande ajuda!

Para pensarmos o portal, levamos em consideração que o site precisava ser fácil de navegar, fácil de carregar, fácil de ser encontrado pelos mecanismos de busca, rápido, intuitivo e, do ponto de vista da redação, com níveis de customização e liberdade aceitáveis.

Além disso, precisava orientar a todo momento onde o usuário está (porque o portal é grande, mas será muito maior) e ter muito espaço para apelo visual, pois um dos objetivos é falar de maneira especial com a camada mais popular da sociedade, em termos de linguagem, ferramentas e tal. Muitos infográficos, sobre assuntos do dia-a-dia, muita foto, glossários, agendas e páginas especiais de serviços são alguns exemplos.

O site ainda terá outras fases de implementação e possui, em seu guarda-chuva, muitos outros sites e portais. Por isso, teve que ser desenvolvido de uma maneira a comportar atualizações e constante mudança de manchetes e forma de apresentá-las, outra característica marcante do R7: atualização minuto a minuto (por isso a contratação de tantos jornalistas).

A Globo.com talvez tenha criado uma tendência de estrutura e navegação em sites de notícias. Como foi o pensamento de mudança nesse sentido?

Não fizemos o portal pensando no que iríamos mudar, simplesmente para dizer que mudamos e que somos “diferentes”. A mudança no cenário da internet vem com o tempo, com as atualizações do site, as demais fases, o tipo de conteúdo, a integração entre TV e internet. Quem pensou que veria um menu no centro da página girando, com um fundo roxo e bolinhas amarelas piscando, sinceramente, subestimou demais a palavra inovação que foi utilizada na campanha de lançamento.

Só um profissional incompetente e inconsequente faria diversos testes de usabilidade, com modelos mais tradicionais e outros totalmente inovadores, avaliasse os resultados, notasse que o modelo tradicional foi muito mais aceito e considerado confortável para os usuários navegarem e optasse pelo “inovador”. Fizemos testes e são eles que devemos seguir, afinal, opiniões não têm embasamento científico. Inovar para ninguém usar não era o caminho e nem o nosso objetivo, vale ressaltar.

Realmente li muita gente, usuários comuns que não trabalham com internet, falando que acharam o site parecido com o da Globo, alguns falaram sobre iG e muitos falaram do G1. Mas eles são usuários comuns. Viram uma home branca, com cores dividindo as seções e menu vertical e não passaram disso em suas análises. Não viram as páginas internas, as homes de seções, a parte de vídeo, a home da Rede Record. O portal não é só a home, que foi pensada levando em consideração dezenas de fatores e a vontade dos usuários testados, acima de tudo. Agora, os profissionais de internet que disseram ser o R7 uma “cópia descarada” do G1 é que me assustam.

Para quem não sabe, os portais de notícias que existem hoje também são baseados em referências, convenções e tendências. Esses dias, postei algumas dicas sobre isso (link: http://www.carlamartins.com/blog/2009/09/10-dicas-para-melhorar-a-usabilidade-de-ambientes-digitais/). Analisando o texto (originalmente em inglês), nota-se que as convenções estão aí, e fizemos sim uso delas. para mim, isso é um ponto positivo e não negativo.

Se lembrou algum outro site, é porque esse mesmo site também utilizou as convenções. Entre essas dicas posso citar: Tamanho da caixa de busca, Espaços brancos melhoram a compreensão, Design clean. Isso não foi descoberta de nenhum portal brasileiro, isso já vêm sendo utilizado há tempos e tem livros e livros, artigos e artigos que tratam do tema. Então, não foi nenhum site que ditou o layout do R7 e, sim, as boas práticas, as convenções, nossos testes, nosso background e todos os estudos que realizamos.

Sendo o Design uma ferramenta dentro da Arquitetura de Informação, porque não procuram inovar nessa questão? Talvez fazer um projeto mais minimalista?

Acho que essa resposta já foi discutida acima. Pensemos que um portal desse tanmanho precisa ser atualizado via sistema de administração, os itens de menu, no R7, também são dinâmicos, ou seja, podem ser criados ou excluídos do menu, dependendo da permissão do usuário. Esse é apenas um fator que foi determinante, por exemplo, para termos decidido planejar um menu vertical. Um site como esse não deve ser pensado apenas para ficar bonito e ser fácil de navegar para os usuários, ele deve, também, ser “atualizável” de maneira satisfatória e eficiente. E disso dependem muitas decisões tomadas na fase de AI. E no meio de tudo isso, falar apenas de inovação e ineditismo é a provar de que a grande maioria dos críticos entende muito pouco de um projeto como esse.

Houve alguma pesquisa de mercado antes da criação do portal? Utilizaram alguma outra metodologia de um projeto centrado no usuário?

Sim, houve pesquisa de mercado. Sobre testes, fizemos Card Sorting, Análise de Tarefas e, agora, estamos iniciando outra rodada de Análise de Tarefas. O próximo passo será estudo de Eye Tracking. Além disso, analisaremos e estudaremos constantemente as métricas do site.

Vocês utilizaram o WordPress como gerenciador de conteúdo? Como foi o treinamento dos jornalistas que atualizam o site?

Não, apenas para os blogs. O treinamento dos jornalistas para a utilização do CMS foi intenso, levou várias semanas e foi apresentado em módulos, para cada equipe em separado, já que cada seção tem suas particularidades. Acompanhei os treinamentos, tirei algumas dúvidas dos jornalistas sobre as possibilidades do sistema e, como não tivemos prazo suficiente para elaborar a AI do CMS, acabei estudando o CMS, percebendo alguns itens que tinham pouca usabilidade e solicitando correções. Devido ao prazo, nem todas puderam ser realizadas antes da estreia, mas já estão em andamento.

O que podemos esperar em termos de evolução do portal. Teremos uma grid fechada para cada programa?

Não posso dar muitos detalhes sobre isso. O que posso adiantar é que estamos estudando e elaborando a AI de alguns sites especiais e que, brevemente, todos os sites de programas serão refeitos. O trabalho está só começando, a equipe vai ter que aumentar muito e, até agora, estou muito realizada e satisfeita de ter topado o desafio e, principalmente, de saber que minha equipe também está feliz da vida. Aproveito o espaço para agradecer imensamente a Karin Althuon e a Renata Azevedo, pelo envolvimento, competência e amizade! Uma equipe unida só podia dar nisso. :)

Nos próximos posts do meu site, vou falar um pouco sobre detalhes da AI do site e postarei fotos dos bastidores e do lançamento do R7. Sobre métricas, posso dizer que os acessos estão ultrapassando, de longe, minhas expectativas. Sucesso total!

Obrigada pela oportunidade, mais uma vez! Sucesso!

Beijos!

home_r7

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  1. Carla,

    parabéns pelo projeto, o prazo de execução realmente me impressionou.

    Obviamente que existem melhorias para fazer. Principalmente em um projeto desse porte, em que se trabalha baseado em vários testes, como você descreveu.
    Mas algumas melhorias simples que, na minha opinião, seriam positivas para a interface são: deixar os espaçamentos entre os textos maiores para melhorar a legibilidade e principalmente deixar os blocos de divisão entre as informações mais evidentes.

    Mais uma vez parabéns pelo projeto e sucesso!

    Ahh e parabéns “Arquiteto” pela iniciativa!! ;)

    Abs,
    Henrique Brito

  2. Fábio Silva disse:

    “Só um profissional incompetente e inconsequente faria diversos testes de usabilidade, com modelos mais tradicionais e outros totalmente inovadores, avaliasse os resultados, notasse que o modelo tradicional foi muito mais aceito e considerado confortável para os usuários navegarem e optasse pelo “inovador”. Fizemos testes e são eles que devemos seguir, afinal, opiniões não têm embasamento científico. Inovar para ninguém usar não era o caminho e nem o nosso objetivo, vale ressaltar.”

    Tá, e a minha bicicleta é azul.
    Record: sempre mais do mesmo.

  3. Raul Torres disse:

    Modelos adotados nos maiores portais de noticia e informação do mundo, são resultado de muito estudo e experimentação.

    Os portais brasileiros vem de longos 10 anos de muito estudo em cima dessas referencias e muitas experimentações ao longo do tempo.

    Crer que um novo portal iria aparecer do nada com uma revolução visual e funcional ditando uma nova era, é a mesma coisa que ter uma bicicleta azul.

    Belo projeto! Grande entrevista.

    Abs!

  4. Daniel Correa disse:

    “Agora, os profissionais de internet que disseram ser o R7 uma “cópia descarada” do G1 é que me assustam.”

    Buuuuu!

  5. Renan disse:

    Grande Rogério, parabéns pela iniciativa de convidar a Carla para esclarecer o assunto.

    Esse assunto relacionado à nossa lista de discussão me deixa extremamente chatiado, pois fui obrigado a colocar o nome/e-mail de algumas pessoas já pré-programados para cair como Spam.

    É humanamente impossível conseguir acompanhar todas as mensagens que se postam todos os dias por lá, e isso acaba deixando os bons artigos, posts e links muitas vezes passando despercebido.

    Falando agora sobre o portal em sí, não pode-se dizer de maneira alguma que é uma cópia do G1. São sites diferentes, tanto no quesito conteúdo quanto navegação.

    É inevitável que ao iniciar um trabalho desse porte nós buscamos referências de tudo que é bom, isso faz parte do nosso dia-a-dia, seja em qualquer tipo de trabalho. Vejo isso na verdade como um ponto extremamente saudável para a evolução do nosso mercado. Temos que estar sempre aberto as novidades, e isso ajuda na evolução do nosso mercado.

    Conhecendo um pouco objetivo do projeto pois já tive um certo envolvimento com as pessoas responsáveis por ele, não dá pra negar que é extremamente inovador e bem trabalhado.

    Enfim, é isso.

    Parabéns a Carla, Karin e Renata pelo exelente trabalho realizado.

    E a você um grande abraço,
    Renan

  6. Marco M disse:

    as regras e princípios estão ai, mas isto não pode ser desculpa para se copiar ou deixar de criar e ter sua própria identidade

  7. João de Freitas disse:

    Legal a entrevista, Rogério e Carla.
    Em meio a todas as brincadeiras e também discussões sérias sobre o tema, vemos agora que a mensagem da “autora” deste trabalho deixa claro a todos sobre o processo de desenvolvimento e justifica cada achismo que foram ditos.

    Não podemos recriar as interfaces, principalmente numa situação estratégica destas. Nem um ano de trabalho e já ter um portal desta amplitude no ar não permite tanta inovação e ainda mais correndo o risco de inovar e causar um impacto muito grande a que já está muito acostumado com os modelos do Glogo.com .

    Até outros clientes que tem um mínimo de notícias para colocar num site já vem com o G1 na lista de referências e quase te obrigam a fazer igual (até que se prove o contrário).

    Enfim, continuamos nos tabus dos portais, não só brasileiros, onde temos excesso de informações(na home). As internas, como a Carla falou, estão muito bem organizadas e a estrutura criada para vídeos é espetacular. Vejo tantos projetos de emissoras locais e jornais ficarem utilizando, inclusive, youtube por não ter capacidade de oferecer um bom serviço nesta seção.
    E para finalizar, apenas deixar o parabéns pelo belo trabalho que foi feito pela equipe.

    Abraços
    João de Freitas

  8. [...] A primeira foi para o blog do Rogério Pereira. [...]

  9. Ryan disse:

    A entrevista é realmente muito boa. Realmente existem esses padrões que a Carla mencionou, onde os resultados seguem uma tendência em comum e isso ocorre em várias áreas distintas. E ainda é possível ver isso no caso do Globo.com e do G1, que mesmo sendo sites diferentes tem um layout parecido.

    Entretanto, a palavra inovação não está tão estampada no R7 como ela disse. Quando um usuário entra num site ele se depara com a home, logo de primeira (algo óbvio). Pensando dessa maneira, o que mais marca um usuário logo no início é a home.

    Vejam a forma como ela criticou os usuários: “Mas eles são usuários comuns. Viram uma home branca, com cores dividindo as seções e menu vertical e não passaram disso em suas análises.”.

    Com base nessa crítica eu me pergunto: o R7 foi feito para profissionais de Arquitetura da Informação, para profissionais da área de Ciência da Computação ou para todos? Onde está o estudo? Ela não se importa com a opinião do “usuário comum”? Senti um certo desprezo da parte dela… Se a maioria das pessoas não gostaram disso ou avaliaram o site analisando as cores e se era parecido com o Globo.com, então por quê, ainda assim, eles fizeram um site assim (parecido com o Globo.com)? Eu, quando vi que era parecido perdi o interesse de olhar o resto.

    O que mais me decepciona é que o R7 parece uma cópia do site da Band, que por sua vez parece uma cópia descarada do visual antigo do G1. Parece que o R7 não possui identidade visual, assim como site do Terra. Entendam bem a diferença, estou falando da identidade visual, não da organização do conteúdo.

    O que impede colocar seções de conteúdos dispostas em colunas? Nada, o Globo.com é assim, o R7 e template inicial do .NET Nuke também são. O problema é que se eu esconder o logo do R7 e colocar o logo Globo.com vou pensar que estou no Globo.com (e olha que posso fazê-lo com o Firebug e depois tirar uma foto da tela).

    O exceço de azul e o uso de cores distintas para marcar seções de matérias é a cara do Globo.com (G1 nem tanto, pois é muito vermelho). Na imagem publicada nesse post, se eu esconder o logo do R7 eu vou me sentir no Globo.com em época de Big Brother Brasil, pois até a propaganda da FIAT tem lá.

    Depois alguém (a Carla) nos diz que há muita inovação e criatividade, e pior ainda, que isso está estampado no site. A única “grande inovação” em relação ao site da Globo é a busca, que já não é tão novidade, pois muitos sites utilizam a busca com mais destaque.

    Mesmo assim fica os parabéns pela realização em tão pouco tempo. Entretanto, seria bom uma reavaliação das opiniões dadas e uma visão menos preconceituosa com o “simples usuário”, pois é ele quem vai acessar o site.

  10. SAMUEL LIMA disse:

    OPINIÃO DE UM USUÁRIO:

    A RECORD TEM QUE PARAR DE QUERER SER A GLOBO E COMEÇAR A TER IDENTIDADE PRÓPRIA.

    O R7 É UM MIXTO DO G1 COM O IG, MAS INFELIZMENTE ELES SÓ PEGARAM OS PONTOS FRACOS DE CADA SITE.

    PARA MIM IG, G1 E UOL ESTÃO MUITO A FRENTE DOS DEMAIS. O R7 AINDA VAI TER QUE COMER MUITO FEIJÃO PARA PODER CHEGAR AO NÍVEL DELES

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