Acho que uma das maiores dificuldades dos arquitetos de informação ao criar uma interface é não ter idéia ou tentar adivinhar ou inferir qual será o conteúdo de um site. Será texto, vídeo, animação, gráfico ou um simples áudio que solucionará todo o problema?
Jogar simplesmente um lorem ipsum em uma página não resolve o problema de uma interface se não houver uma estratégia de conteúdo por trás de tudo isso.
O mercado precisa parar de pensar que o texto de internet tem que ser simplesmente mais curto que outras mídias devido ao desconforto de leitura que acontece em monitores. O texto precisa simples, objetivo, informativo e que sirva de roteiro para as tarefas que o usuário pode realizar em um website.
Em tempos de repensar o formato e novas metodologias de trabalho, já passou da hora de termos uma etapa de redação de arquitetura melhor pensada. Não estou falando de o redator ter que adaptar o conteúdo que foi desenhado no wireframe, mas que esse profissional e o arquiteto sentem juntos e façam todo o conteúdo para que a interface seja adaptada ao conteúdo, e não o contrário.
Em uma conversa com o Daniel Souza, planejador de experiência do usuário na Talk, existem algumas empresas, claro que na gringa, que já usam a prática de escrever todo o conteúdo no Axure antes de começar a pensar na interface.
Acontece que não existe uma etapa específica, onde o arquiteto pensa nessa estratégia antes de começar a desenhar o wireframe. Isso tudo é feito na hora de pensar em cada tela.
O arquiteto precisa estar bem preparado para começar ajudar o pessoal de conteúdo pensar nessas estratégias. Deve haver uma preocupação maior com esse trabalho, afinal o conteúdo é e sempre será o rei.
Esse assunto vai render mais discussões e novos posts. Aguardem e colaborem comentando.
Tags: arquitetura de informação, conteúdo, lorem ipsum, redação de arquitetura




Sendo primeiramente uma editora, uma das minhas principais regras de AI sempre foi: conteúdo é (quase) tudo. O AI precisa saber o que vai rechear a página, o site inteiro, antes de começar a planejar. Não existe estrutura sem conteúdo. Infelizmente ninguém lembra de contratar um editor para pensar o conteúdo junto com a etapa de AI. Só se pensa em um redator mais tarde, para fazer texto final (que geralmente é a última coisa de um site). E a essa altura, a estratégia de conteúdo simplesmente não existiu, e o redator tem só que preencher a página. Será que o AI tem que ser também o estrategista de conteúdo (editor)?
Realmente este é um problema que todos os arquitetos de informação enfrentam. Aliás, creio que os redatores passam por mais problemas, justamente por terem que ajustar todo o conteúdo dentro de uma interface pré-definida.
Achei muito interessante o post, pois nunca tinha parado pra pensar sobre isso.
Parabéns, Rogério.
Até mais.
Oi Rogério,
Excelente discussão. Trabalho como AI há mais ou menos 9 anos. Comecei como redatora e me transformei em AI justamente pela necessidade de arquitetar conteúdos. Na verdade, eu comecei fazendo o meu texto espacial, como costumava chamar..hehe…Colocava o meu texto num ppt para o diretor de arte entender o que eu queria dizer na não linearidade da web. Talvez por isso eu não tenha perdido a mania de fazer nos meus wireframes um pequeno briefing do texto ao invés de usar o famoso lorem ipsum (tipo aqui vai uma infomações sobre tal coisa). Eu sempre pensei o site pelo conteúdo e acho que é assim que deve ser. Caso contrário incorreremos no velho erro de ficar desenhando quadradinhos cinza sem o menor sentido. Parabéns pelo blog tá bem legal.
Rogério, parabéns pela questão. Como eu venho da área de diagramação, vou fazer uma certa analogia, pois lembro bem que em alguns jobs o projeto gráfico era rigoroso e o jornalista adaptava o texto para caber na página, já em outros, era o contrário. Isso acaba acontecendo na web também, pois ainda são etapas separadas. Na minha opinião (e é só opinião mesmo) acredito que devemos passar a bola diversas vezes entre redator, AI, DI, DG e TI durante o projeto e admitir que todos precisamos refazer/readaptar o seu trabalho de acordo com as novas informações trazidas pelas outras áreas. Assim, todos constroem ao mesmo tempo e juntos o alicerse, depois as paredes e depois o teto.
Discussão válida, mesmo porque exibir um wireframe carregado de “Lorem Ipsum” é uma experiência não muito agradável. Eu pelo menos não curto.
Este é um problema que sempre iremos ter, se não condicionarmos todos os envolvidos no projeto (principalmente os clientes) a pensar primeiramente no conteúdo e depois na estrutura, layout, programação, etc. Ocorre muito de pedirmos, antes mesmo de começar o projeto, os textos para o cliente e ele abaca soltando a frase: “coloca esses ai por enquanto (normalmente chegam textos pequenos e/ou pouco explicativos), ai depois que estiver no ar a gente muda”. Ai nos arquitetos, muitas vezes somos obrigados a colocar lorem ipsun ou ficar arrumando texto de cliente. Creio que da mesma maneira que mostramos que a Arquitetura da Informação é fundamental para um projeto, teremos que mostrar que um redator é tão importante quanto. Parabéns.
“Se não há conteúdo, não há informação. Então, o que vamos arquitetar?”
Rogério, esta é e sempre foi minha principal dúvida que compartilho na empresa em relação ao projetos que participo, quase sempre iniciados sem a presença de um conteúdo mais sólido e rico.
Atualmente, os clientes possuem idéias que vão de extraodrinárias até impossíveis de se executar em um determinado prazo e quase sempre, estas idéias escondem o principal do projeto: o conteúdo. Quantas vezes eu tive que fazer o projeto de AI com o nosso famoso “Loren ipsum sit dolor amet…”? Eu nem lembro mais. A maior dificuldade (falando daquilo que vejo e no segmento que atendo), é que os conteúdos sempre são produzidos pelo cliente, na sua grande maioria.
Tenho uma prática adotada com relação isso: Mostrar ao cliente a importância do conteúdo logo na primeira reunião de briefing, indicando que o projeto para ter sucesso, precisa ter informação relevante, verdadeira. A responsabilidade neste caso é partilhada entre agência-cliente e todos caminham em direção ao objetivo do projeto, homologando as informações desde cedo.
Parábens pela reflexão, mais uma vez!
Concordo com todos quanto ao conteúdo e também sou a favor de mostrar a importância logo na primeira reunião.
Uma questão tem que ser levantada.
E quando o cliente não tem conteúdo algum?
Não tem como deixar de projetar a arquitetura ou chegar a desenhar wireframes sem nenhum texto. Daí acabo utilizando “lorem ipsum”, pois pelo menos dá a noção de texto escrito, coisa que “texto… texto… texto…” não dá.
Utilizo o “lorem ipsum” somente no “corpo de uma notícia”, por exemplo. Na rotulagem nunca utilizo.
Att,
André Luis