O amadorismo no ensino digital

Publicado em 22/05/2009

O 12º episódio do 6º Aprendiz Universitário, liderado pelo então fodão Roberto Justus mostrou que ainda temos muito amadorismo em relação ao ensino da comunicação digital nas universidades.

Os participantes tinham que fazer o milagre da multiplicação, tentando lucrar de maneira bem criativa com uma verba de 5 mil reais. O trabalho foi dividido em 3 duplas que tinham que usar seus conhecimentos empreendedores.

Uma das duplas teve a “excelente” ideia de vender sites com preços de R$ 150,00 cada. Fico feliz que tenham perdido. Isso mostra que o amadorismo não tem espaço nem para o dono e presidente da agência que mais fatura com mídia no Brasil. Por isso que as pessoas leigas ficam assustadas quando uma agência ganha uma concorrência de uma verba de 11 milhões pra criar um dos sites mais importantes do governo brasileiro. Isso é tratar site como banana ou pastel.

banana

O Roberto Justus e o Walter Longo também mostraram sua falta de conhecimento digital elogiando o participante Rodrigo Carraresi, “que se diz especialista em web”, que deve ter estudado em Harvard e provavelmente fala 388 idiomas.

Claro que as pessoas precisam estudar e buscar especializações pra utilizarem esse conhecimento em prol de suas profissões. Mas o mercado tem mostrado que os melhores profissionais são feitos com a prática.

A minha preocupação é que as faculdades não estão preparando bons alunos para o mercado de trabalho. O problema estar em o aluno se preocupar em aprender a técnica. Esquecem que a universidade tem o papel de fazer o aluno aprender a pensar e pesquisar, sem falar que qualquer faculdade está virando universidade, mesmo sem ter nenhum projeto de pesquisa.

O Luli fez uma apresentação muito bacana para os alunos de comunicação da ECA/USP, onde fala sobre os segredos do ensino da universidade.

Leiam também o descontraído artigo “Se vendêssemos pizzas como produzimos sites (10 anos depois)”

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  1. Rogerio,
    concordo com você com relação a valorização do profissional, principalmente numa área relativamente nova como a web.

    Mas uma coisa é cobrar R$150 por uma bicicleta e outra é cobrar R$11 milhões por um carro (mesmo um de luxo). A impressão que tenho é que algumas empresas aplicam um multiplicador ao orçamento quando prestam serviços para o governo, o que não acho justo.

    Agora, mais importante que terceirizar um projeto como o desenvolvimento de um site é investir numa equipe própria para esse fim, de forma a se apropriar da tecnologia e deixar de ser dependente.

  2. Frank Gilber disse:

    A onde vai parar o futoro da web com esses amadorismos! Ein! :(

  3. Frank Gilber disse:

    Ops! Futuro :)

  4. andre luis disse:

    Triste demais.
    Equivale a oferecer cirgurgias a “preços populares”.
    Dá dó de ver isto.

  5. andre luis disse:

    OBS: cigurgias = cirurgias…

  6. Bernardo disse:

    Concordo com os comentários dos amigos acima, porém vale lembrar que não existe regulamentação para profissionais da área de informática, ou seja, qualquer pessoa pode neste momento ser web designer, arquiteto de informação, programador, analista de segurança web ou qualquer outra variação profissional de web tendo a mínima experiência.

    Discordo no aspecto do portal da Presidência da República e demais projetos ligados a ele (26 projetos). Gostaria de saber com que embasamento teórico/científico você afirma que 11 milhões de reais (dinheiro público), está totalmente de acordo para a implementação do portal da Presidência da República.
    Você teve acesso a tais dados para realizar esta afirmação? Se possível exponha para nós essas informações.
    Abraços!

  7. Bernardo,

    Talvez você desconheça como deve ser uma estrutura de uma agência digital para atender uma conta desse porte.

    Não estou afirmando que o 11 milhões é pouco ou muito para um projeto do governo, só quis fazer um comparativo entre 150 reais e 11 milhões.

    Você sabe quanto é o investimento em comunicação do governo?

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