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Daniel Malva, arquiteto de informação da Baião de Dois, empresa focada em projetos de comunicação interativa. Jornalista formado na Universidade de Brasília - UNB, concluiu o MBA Executivo da Escola Superior de Propaganda e Marketing-ESPM. Mestrado em Design de Interação (Telecom, Internet, Mídia TV), na Universidade de Westminster (Inglaterra/Londres).

Atualmente cursa o Mestrado em Arquitetura de Informação na Universidade de Brasília.

Trabalha com planejamento e desenvolvimento de produtos para mídias interativas, definindo o posicionamento mais adequado para o target/objetivos e visando uma adequação mais eficiente (retorno) das ferramentas de comunicação para as empresas.

O que é Arquitetura de Informação pra você?

Imagine o seguinte Rogério: uma empresa decide investir altíssimo em campanhas publicitárias para promover sua linha de produtos. No entanto, pouco importaria esse investimento, se no momento da compra o produto não estivesse acessível no ponto de venda.

O pensamento contrário também é válido: não importa uma excelente distribuição se sua promoção e divulgação não forem eficazes.

O pior cenário, no entanto, é aquele em que temos uma excelente campanha de divulgação, uma logística de distribuição diferenciada, mas um produto de má qualidade.

Não há estratégia de marketing que sustente um produto inadequado e de difícil consumo.

Enquanto no “mundo real” essa cadeia de distribuição é representada por distribuidores e varejistas, na internet quem assume seu papel é a Arquitetura de Informação. E é a AI que tem essa função de distribuir a informação em um site, seja ele um portal ou um mini-site.

E, aqui a analogia com os canais de distribuição é perfeita: não adianta a informação ser de excelente qualidade se estiver mal distribuída pela interface. De que vale uma boa informação se ela não é encontrada pelo usuário? Pior ainda será se ela estiver bem distribuída, acessível, mas for um conteúdo mal elaborado e de má qualidade.

Assim como comentou nosso querido Maeda, estamos falando de Contexto e Organização. Lógico que falar dessas leis (apenas 2 entre as dez listadas por ele em seu “Leis da Simplicidade”) pode parecer exageradamente dedutivo. De qualquer forma, eu realmente acho que AI é isso: organizar e contextualizar informações para atingir determinados objetivos.

Quando falamos que nossa função é tornar as informações rapidamente acessíveis estamos assumindo um papel fundamental no planejamento estratégico de um site. O que fazemos, na prática, é tentar organizar informações para que elas sejam rapidamente encontradas. E como tudo cujo resultado final visa à simplicidade, a AI é um disciplina extremamente complexa.

Entregar um produto simples e prático demanda um enorme esforço de pesquisa, planejamento e usabilidade.

Como Arquitetura de Informação entrou na sua vida e como foi o início nesse trabalho?

Meio sem querer. Ainda era estudante de jornalismo na UnB, quando percebi que meu futuro não estava em redações de jornais. Comecei, então, a buscar alternativas. Entre idas e vindas, conheci o pessoal da Agencia Click onde comecei minha carreira.

Foi uma passagem fundamental para minha formação. Me arrisco a dizer que a Click foi a primeira grande escola de Arquitetura de Informação do mercado de Brasília. Em uma época de “nascimento” da disciplina tive a sorte de trabalhar com 3 figuras que considero as mais importantes do mercado local: Marcelo Ottoni (nosso guru – praticamente definiu todos os processos e metodologias de trabalho que utilizo até hoje), Pedro Borges (o mais criativo – uma solução inesperada para qualquer que fosse o desafio) e Leo Sarmento (o mais business oriented – sim, iremos atingir todos os objetivos estratégicos definidos no planejamento).

Tive o privilégio de trabalhar ao lado desses caras e, claro, aprender muito com todos eles. Daí pra frente foi trabalhar, trabalhar e, claro, me especializar cada vez mais.

Em um determinado momento decidi que era preciso buscar novas referências e me aprofundar mais nos estudos. Para isso, decidi cursar um mestrado em Design de Interação em Londres. Feito isso também conclui um MBA para adquiri uma visão de negócios mais apurada. Lá dentro foi fácil perceber que os trabalhos de arquiteto e planejamento estratégico se confundem em muitos momentos. Por isso, sempre defendo que o arquiteto deve, sim, participar de todas as reuniões de planejamento e vice-versa. No fim das contas, a arquitetura nada mais é do que uma tentativa de tangibilizar os objetivos estratégicos definidos pela equipe de planejamento. Por isso a sinergia entre essas duas áreas é fundamental.

E as maiores dificuldades no trabalho diário?

Um dos maiores problemas do mercado de AI está na própria formação de seus profissionais. Durante muito tempo (e ainda é fácil identificar isso) os trabalhos de arquitetura eram feitos apenas no “bom senso” e no “achismo” de seus realizadores. Não havia muito planejamento, estudo, testes e, principalmente, não havia uma argumentação consistente para justificar as interfaces propostas.

O reflexo disso era uma desvalorização acentuada dos arquitetos de informação. Tivemos que batalhar muito, estabelecer processos e metodologias para minimizar essas impressões e começar a dar um ar mais profissional ao nosso trabalho;

Há ainda uma questão ainda mais conceitual. A natureza dos trabalhos de AI do mercado de Brasília acabou moldando muito mais arquitetos de sistema do que arquitetos de informação em sua essência. Eu, por exemplo, passei pelo menos 2 anos da minha carreira recebendo matrizes de escopo ao invés de briefings criativos.

Esse é o maior obstáculo para desenvolver trabalhos criativos e que despertem curiosidades, experiências interessantes.

Quais ferramentas você recomenda para a entrega dos projetos?

Ainda acredito muito no bom e velho PPT para apresentação de Macro-arquiteturas. Para a micro, a interação é fundamental, o que torna os protótipos do Axure praticamente insuperáveis. Conhecer bem essas duas ferramentas é fundamental para entregar projetos cada vez mais profissionais. Além disso, o SmartDraw pode ser bem interessante no desenvolvimento de workflows e sitemaps.

Como você vê o mercado atual e como ele deverá evoluir?

Minha expectativa é que a próxima geração de gestores (muitos deles heavy-users de internet hoje em dia) saiba do potencial e do retorno que o investimento em internet pode oferecer as suas empresas.

As vezes, paro para imaginar como seriam nossas reuniões com clientes daqui a 10 anos. Otimista que sou, sempre vislumbro tomadores de decisão muito mais conscientes do papel da internet para suas empresas.

Não há como evitar. A tendência é a convergência de todos os canais para as mídias digitais. Quando isso realmente ocorrer, teremos muito mais espaço para desenvolver nosso trabalho.

No entanto, para isso ocorrer não são somente os clientes que devem se adaptar. É fundamental que e a nova geração de arquitetos se especialize, pesquise, teste, erre e acerte.

Precisamos profissionalizar cada vez mais nossa área. E, nesse momento de consolidação da profissão temos que formalizar nossa formação com a realização de cursos e especializações.

E o futuro de um profissional especializado em Arquitetura de Informação?

Se especializem. Cursos como MBA podem dar uma visão de negócio fundamental a nossa área de atuação.

Além, disso, tente abstrair um pouco e fuja dos padrões de interação tela x teclado x mouse. Viaje muito e, sempre que possível, passeie e leia um bom livro. Tente entender, por exemplo, como funciona a “navegação” em cardápios, shoppings centers, parques, livros, enfim, em todo e qualquer ambiente essencialmente interativo.

Ah… leia e releia Jakob Nielsen. Feito isso, faça exatamente o contrário do que ele diz.

Onde busca referências criativas para o seu trabalho?

Além de benchmarks tradicionais como FWA e eventuais sites e ações em destaque, acho muito interessante buscar referencias “open-minded”. O próprio Maeda é uma delas. Outras referências bacanas são Brenda Laurel, a revista Wired, o site Boxes and Arrows, além de inúmeros outros.

Fontes inesgotáveis de referências são nossos parceiros designers. “Cole” nesses caras. A noção estética e perspectiva deles do que realmente funciona ou não na web é fundamental para que possamos fazer trabalhos cada vez melhores.

Gostaria de deixar uma dica para quem está iniciando na área?

Ousadia. Chega de fazer sites burocráticos. O que precisamos é de experiências positivas e marcantes na internet. Sim, em algum momento precisamos entregar a informação o mais rápido possível, mas em determinadas situações precisamos “prender” o usuário na interface, fazê-lo experimentar a marca.

Aprenda o fundamental: leis de usabilidade, de diagramação, modelos mentais, taxonomia, etc. O mais importante, no entanto, está em criar seu próprio estilo de trabalho, se destacar pela sua criatividade e jogo de cintura para resolver desafios.

Resumindo: aprenda a teoria, mas a prática é você quem faz.